“Te imaginei na final desse programa”, foi o que Helena Rizzo, jurada do programa e eleita pela Revista Restaurant como melhor “Chef de Cozinha Feminina do Mundo” em 2014, disse à Gabriela Paveloski, bartender e cozinheira de Bauru, na eliminação do Masterchef 2024.

Ao chegar no Masterchef, um dos maiores reality shows de gastronomia do país, Gabriela se mostrou uma cozinheira competente e já se destacava pela criatividade e cozinha autêntica, inovando na combinação de sabores, texturas e repertório de pratos. Durante os episódios, chamou a atenção tanto do público quanto dos jurados.
Quem é Gabriela Paveloski
Antes mesmo de se envolver na cozinha, Gabriela trabalhava com cosméticos e maquiagens. Se aproximou da gastronomia quando fez um curso de bartender e em seguida de sommelier. Ali encontrou um meio diferente de expressar sua criatividade. Em 2021, Gabi criou o próprio estabelecimento, um bar de queijos em Bauru. O feito resultou em mais intimidade com a área.
A temporada 11 do Masterchef foi a segunda tentativa da sommelier em participar do reality, onde chegou até o Top 9 e pôde mostrar ainda mais as habilidades. Antes disso, chegou a tentar a edição de 2023.
Hoje em dia, Gabi também utiliza as redes sociais (@gabipaveloski) para compartilhar o seu trabalho e outros conteúdos gastronômicos.

Masterchef
Em uma das primeiras provas, a bauruense trouxe um Polpetone. Para ela, o prato é marca registrada dos bares tradicionais da cidade, como Abril em Portugal e Bar do Brecha. A cozinheira acrescentou jiló defumado para não deixar de lado o seu ponto forte: os vegetais. Não à toa, em uma prova onde a couve-flor tinha que ser a estrela do prato, Gabi ganhou destaque, adicionando, à receita, homus de feijão fradinho e salada de jiló assado.
Ao participar do programa, teve a paixão pela gastronomia testada, especialmente ao equilibrar a arte de mixologia com a culinária. Para ela, que sempre trabalhou com bebidas, estar no Masterchef a fez enxergar a cozinha de forma diferente e completa.
Entre as experiências no reality, o emocional influenciou diretamente na trajetória. “Comecei a não conseguir controlar tão bem minha ansiedade, no final, eu já estava mais cansada e debilitada. Entrar no mercado para fazer provas me dava um branco”. A ex-participante também comenta sobre a pressão das provas. “Eu achava que não, mas consegui fazer pratos que refletem quem eu sou e acho que, de alguma forma, eu fiz algo bom”, conclui a bartender.
Olhando para trás, Gabi se mostra satisfeita com a participação: “Entrar no programa foi uma surpresa. Fui passando pelas etapas e cheguei ao TOP 9, o que é uma conquista importante. Eu fiquei bem satisfeita com a minha trajetória”, conta a bauruense.
Mesmo com o desafio de lidar com o próprio emocional, Gabi soube trazer leveza e autenticidade nos desafios. Em uma prova de eliminação, a participante ganhou como melhor prato ao fazer um pão com mel de camomila e cumaru, semente aromática e conhecida como “baunilha brasileira”. Não faltou elogios vindo de Alê, dono da Cacau Show, que fazia uma participação especial no episódio, entre eles, a importância de saber se divertir durante o processo.
Pós-reality
Ter participado do programa abriu portas para a masterchef. Na eliminação, Gabriela recebeu propostas de estágio no restaurante Sal, de Henrique Fogaça, e no Maní, de Helena Rizzo, jurados do reality. A bauruense optou pela segunda opção.
A decisão foi tomada, principalmente pela identificação com Rizzo, que em alguns adjetivos resume sua cozinha em “inventiva”, “literária” e “contemporânea”. Gabi não deixa de seguir a mesma linha de trabalho.
“A escolha não foi fácil, mas optei pelo Maní. Admiro muito a cozinha da Helena e me identifico com os vegetais e as combinações que ela faz. Mesmo não sabendo um milésimo do que ela faz, senti que eu poderia aprender mais”. O estágio no Maní traz, para perto, a vontade de Gabi em continuar trabalhando com a gastronomia.

Mais experiências
Ter um lugar para aprender e aprimorar seus conhecimentos, como o restaurante de Rizzo, é um grande diferencial no mercado de trabalho. Ao contrário do Masterchef, onde estava em aprovação, Gabi consegue se permitir aprender com profissionais experientes, cozinhando para um público maior.
“As pessoas aqui em São Paulo têm muito mais o hábito de sair pra comer, isso já muda todo o cenário, porque, pra você ter um restaurante e trabalhar com gastronomia, você precisa de clientes e aqui as pessoas vão muito mais pra rua. A partir do momento que têm mais pessoas na rua, temos mais pessoas abertas para conhecer coisas diferentes e gastar dinheiro com isso”, afirma Gabi.
A fala de Gabriela também leva em consideração a experiência que teve como proprietária do Mofo Bar de Queijos em Bauru.
“Eu acho que Bauru melhorou muito, muito graças ao Prêmio Impera [circuito anual de gastronomia na cidade]. Existe Bauru antes e depois do Prêmio, mas acho que ainda é muito limitado o que se tem pra comer em Bauru, não opções de lugares, mas na diversidade de alimentos, existe a questão cultural”, completa a cozinheira.

Ainda assim, não descarta a possibilidade de retornar à cidade natal com as novas experiências e contribuir para o desenvolvimento gastronômico local.
Em datas selecionadas, Gabi participa das atividades do Orango Mango, restaurante de alimentação saudável, sustentável e “Plant Based”, onde colabora com o preparo de alguns pratos, junto à própria mãe, Érica Morandi, chefe de cozinha e proprietária do estabelecimento.
