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Colunistas

Coluna Professor Archimedes: 80 anos do Aeroclube de Bauru

Archimedes Azevedo Raia Jr
By Archimedes Azevedo Raia Jr
Publicado 18/04/2019
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Quando ainda adolescente, lá pelos anos 1970, eu morava na região entre as ruas XV de Novembro e Avenida Duque de Caxias, região central da cidade. A mancha urbana praticamente só ia um pouco além disso, no sentido sul, atingindo a região da atual Praça Portugal, onde havia uma fábrica da Coca-Cola. Adiante, era só mato.

Assim, era um desafio para os garotos da época, pegarem suas bicicletas e fazerem uma viagem cheia de aventuras até o Aeroclube de Bauru. Este fato se caracterizava como um desafio muito grande, que exigia certo espírito aventureiro. Íamos para lá com o intuito de ver um ou outro avião de pequeno porte decolar ou aterrissar.

Passados os anos, aquele velho e memorável polo gerador de nossas viagens cresceu, se consolidou e hoje possui luz própria. É o conhecido e reconhecido, nacional e internacionalmente, Aeroclube de Bauru.

O Aeroclube de Bauru completa, neste mês de abril, 80 anos de atividade. A Cidade Sem Limites está em festa, e comemora junto com esta entidade, que é motivo de orgulho para todos os bauruenses, mais uma data natalícia.

É um dos mais antigos aeroclubes e aeródromos do interior paulista. É considerado como sendo o aeroclube que está há mais tempo em ininterrupto funcionamento. Sua missão precípua compreende o ensino e a prática da aviação civil, comercial, de turismo e desportiva.

Mantida pelo Aeroclube de Bauru, a sua Escola de Aviação registra a formação milhares de pilotos, reconhecidos nacionalmente e no exterior. É também considerada como grande celeiro de pilotos campeões de voo a vela, podendo-se destacar: Acácio Mauricio de Oliveira, Claudio Affonso Junqueira, João Alexandre Widmer (Batata), José Eduardo Pauletto Pontes, Henrique Azevedo Navarro Vieira, dentre outros.

O Aeroclube também registra em seus quadros, expoentes da aeronáutica nacional, como é o caso do Eng. Ozires Silva, criador do avião Bandeirante e fundador da EMBRAER, e ex-presidente da VARIG. Também o Eng. Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, tendo participado da Missão Centenário, da NASA e Rússia, atingindo a Estação Espacial Internacional, a bordo da nave russa Soyuz TMA-8. É o atual ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil.

Os dados do Aeroclube de Bauru são impressionantes; possui a maior frota de planadores disponíveis para um aeroclube nacional, além de várias aeronaves movidas a motor. É responsável, em média, a cada ano, mais de 50 mil km navegados em planadores e aproximadamente 2,5 mil km navegados em instrução de avião e treinamento local.

A localização privilegiada do município de Bauru em relação à prática do volovelismo, ou seja, uma região relativamente plana e de clima quente e seco. Isto favorece a prática deste esporte, fazendo com que a cidade seja considerada e reconhecida como grande polo do volovelismo. Bauru é uma arena histórica de grandes competições da categoria.

O Aeroclube de Bauru ocupa, desde o longínquo 1949, a liderança do ranking nacional do Voo a Vela, marca esportiva que se tornou motivo de augúrios aos bauruenses. Em mais de 30 anos de campeonato da categoria, os pilotos que representaram o aeroclube ficaram 28 vezes na liderança do ranking nacional. Não por outros motivos o time de pilotos do Aeroclube de Bauru é conhecido com “Os Imbatíveis”. Os pilotos são considerados, guardadas as devidas proporções, como o “dream team” da categoria, em nível brasileiro.

Esse alvissareiro e honroso reconhecimento pode ser atribuído ao grande número de conquistas obtidas em competições nacionais e internacionais que os pilotos bauruenses fizeram jus.

Os registros do clube apontam que o voo a vela é praticado, em Bauru, desde 1942, e foi introduzido pelo imigrante alemão Hendrich Kurt, justamente tio de Widmer – meu colega de docência universitária em Engenharia de Transportes em São Carlos -, o piloto campeão e autor do livro “O voo a vela”. A história conta que Kurt imigrou para o Brasil, deixando para trás os horrores do nazismo, no início dos anos 1940. Ele, que era engenheiro mecânico, fincou “estacas” em Bauru, juntamente com o também engenheiro e cunhado Hans Widmer. Atribui-se a Kurt a construção dos primeiros planadores na cidade.

Em 1940, o Aeroclube de Bauru formou sua primeira turma de pilotos de planador. A partir daí, devido ao pioneirismo na fabricação dos primeiros planadores, pela instituição de um curso regular para pilotos de voo a vela e, principalmente, devido as naturais ondas térmicas, que se são abundantemente típicas na região, Bauru foi sendo cada vez mais procurada para a prática do esporte.

A partir dos anos 1970 o voo a vela se expandiu nacionalmente e a Cidade Sem Limites passou a ser conhecida, também, como “A Capital Nacional do Voo a Vela”. Os prédios do Aeroclube foram edificados em estilo “art déco”, pelos antigos engenheiros da Estrada de Ferro do Brasil, e são tombados como patrimônio histórico da cidade.

Enfim, o Aeroclube é uma entidade que enche de orgulho a todos os bauruenses. Que ele possa continuar brilhando por muito tempo, pois para ele o céu é o limite. Parabéns.

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TAGS:aeroclubeBaurucolunahistória
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ByArchimedes Azevedo Raia Jr
Nasceu em Bauru, cursou Engenharia na FEB e fez o mestrado e doutorado em Engenharia de Transportes na USP. É professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos. Foi diretor de trânsito e transportes e presidente da EMDURB. Co-autor de livros como Segurança Viária (Ed. Suprema), Segurança de Tráfego (Ed. São Francisco), Polos Geradores de Viagens (Interciência). Publicou mais de seiscentos artigos em jornais, congressos e periódicos. Recebeu várias honrarias, dentre elas Moção de Aplauso da Câmara Municipal de Araraquara, Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito e Profissional de Engenharia do Ano de 2019. É diretor de Mobilidade e membro do Conselho Diretor da Assenag-Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru. É escritor e articulista do Jornal da Cidade e professor do curso de Engenharia Civil da FIB.
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