Como sabemos, devido à pandemia causada pela Covid-19, muitas medidas sanitárias foram necessárias para frear a disseminação do vírus. Entre elas, o distanciamento social e suspensão de inúmeras atividades econômicas e sociais.
Assim, o cenário de incertezas tem causado inúmeros sentimentos na população mundial. Tentar acostumar-se a esse “novo normal” está levando muitos a descobrir novos hobbies, adotar novos hábitos e até mudar o rumo de suas vidas.
No entanto, no caso da artista bauruense, Andressa Francelino, a situação proporcionou o surgimento de uma ação. “Vivemos tempos de incertezas! A partir desta constatação, comecei a pensar o que isso provoca em mim, no meu ser estar no mundo. O que eu sinto? O que me move e o que me comove?”, relembra Andressa.
Ela – que é atriz, produtora e gestora de um espaço cultural em Bauru, o Protótipo Tópico – conta que passou a refletir sobre as dificuldades que artistas enfrentariam neste momento. A partir disso, criou o Performing Project Sessions, um projeto de experimentação artística.
A iniciativa reúne séries de curtos vídeos produzidos e editados por artistas – com seus próprios celulares – durante a quarentena.
“[…]este projeto não tem como objetivo reinventar formas de se produzir, mas sim, sobre fazer com o que temos no aqui agora. É sobre descobrir possibilidades artísticas e imagens poéticas dentro da nossa própria casa. É sobre não temer as nossas fragilidades mentais-emocionais-tecnológicas e compartilhar nossas inquietações através de performances virtuais assumindo este tempo de incertezas. Resistir à incerteza é importante”, pontua a artista.
Foto: Divulgação/Performing Project Sessions (Fabrício Rodrigues - sessão 2/episódio 2)
Organizando os episódios
Sendo assim, Andressa dividiu o projeto, de início, em duas sessões. A proposta era que cada uma seguisse um programa-guia e uma materialidade pré-definidos, que deveria aparecer em todos os vídeos.
Para a primeira sessão foram convidados artistas Fábio Valério, Mariana Boico, Fabíola Gonçales, Fabricio Rodrigues e Giovanni Alberti, que têm trabalhado no Protótipo Tópico. Já na sessão dois, conta a idealizadora da experimentação, o convite se estendeu aos artistas Juliana Ramos, Gael Gramaccio, Gabriel Duarte, e Daiane Baumgartner.
Foto: Divulgação/Performing Project Sessions (Gabriel Duarte - sessão 2/episódio 5)
“No processo de publicar os episódios da sessão 2, diversos artistas entraram em contato comigo e demonstraram interesse em produzir um episódio para a sessão 3. Acredito que este projeto surgiu para conectar artistas, permitindo trocas em diversas linguagens, por isso, abri espaço para quem teve o interesse”, celebra Andressa.
Dessa forma, a iniciativa, que começou com cinco artistas, mostra-se promissor e terá entre 15 a 20 artistas – de cidades como Bauru, Piratininga, Bertioga, Paraty, Londrina e São Paulo – na terceira sessão.
Cenário cultural em risco
Por dependerem da aglomeração de pessoas, a exemplo de espetáculos de teatro, cinema e exposições, o setor cultural já é um dos mais afetados pela crise.
“Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a retornar. Mesmo que a municipalidade de Bauru e o Governo do Estado permitam o retorno das atividades culturais, nosso público será reduzido drasticamente”, ressalta Andressa.
Sendo assim, para enfrentar o momento, os integrantes do Protótipo lançaram um financiamento coletivo virtual para sobreviver à crise. Ainda, como “recompensa” para quem colaborasse com qualquer quantia, decidiu desenvolver uma série de ações artísticas virtuais.
No entanto, apesar de ter sido criado como forma de gratificar os doadores, o Performing Project, já não se aplica mais à proposta. Isso, porque a ideia cresceu para além dos artistas envolvidos no núcleo artístico bauruense.
Ademais, Andressa conta ter recebido relatos de que a iniciativa também tem confortado espectadores que sentem-se angustiados por conta da situação, comprovando a importância das artes neste momento.
Por fim, sobre a importância do projeto para os artistas, ela pontua: “De certa forma, o projeto conecta artistas de diversas cidades. É um espaço para nos manifestarmos artisticamente em rede. Conhecermos trabalhos e trocarmos experiências. Acredito que este apoio se manifesta de forma mais simbólica e subjetiva”.
Serviço
Performing Project Sessions
Instagram: @performing_project_sessions
