Quem nunca pensou em largar tudo para viver viajando? A rotina monótona deixa de fazer sentido e a de conhecer novos lugares parece ser a melhor saída, mas poucos têm a coragem necessária para dar o primeiro passo. Assim aconteceu com Gabriel e Bianca, casal que roda o Brasil no motorhome apelidado de Maria Bonita.
Para eles, o medo não foi um fator limitante. “Se a gente está parado aqui em Bauru, trabalhando de home office, por que não fazer aquele sonho virar realidade, montar um motorhome e sumir?”, Gabriel explica. O casal sempre esteve alinhado nas ideias e projeções para o futuro, foi então que a conversa decisiva tomou forma.
Na verdade, o pontapé inicial partiu de Bianca. “Era um sonho que eu já tinha. Eu queria muito uma kombi, viajar, conhecer o Brasil. E aí quando a gente se conheceu, começou a ficar meio sério, eu chamei ele para conversar”, explica. Então, os planejamentos começaram. Mas a história dos dois é um pouco mais antiga.

A.M. (ANTES DA MARIA BONITA)
Antes de pegarem a estrada, as profissões de Bianca e Gabriel eram, respectivamente, coordenadora financeira e analista de processos. Após a grande decisão, se tornaram professora de yoga e professor de inglês, estas são, inclusive, duas das formas de financiamento da viagem.
O apreço pela natureza e por viagens surgiu antes da Maria Bonita sequer estar nos planos. O casal explica que trilhas e passeios do gênero sempre fizeram parte da rotina – a viagem inusitada já estava premeditada. “Sempre curti viajar. A gente começou saindo, fazendo bastante trilha. A gente gosta de acampar, então a gente saía bastante juntos”, completa Gabriel.
Jacareí foi o ponto de partida, onde Maria Bonita foi montada.

COMO É MORAR EM UM MOTORHOME?
Com certeza, uma das maiores questões que envolvem o assunto é o fato de que o casal divide o espaço de um motorhome todos os dias, e, com um (ou dois) plus: os gatinhos, Surya e Buda.
Por se tratar de um espaço menor do que o convencional para a convivência de um casal, os primeiros meses foram de testes. Quanto tempo dura a água? E a energia? Quais os gastos que envolvem o custo de vida na estrada? As dúvidas foram esclarecidas ao longo de três meses de viagem, depois do período, saíram rumo ao litoral paulista.
Apesar de não terem um ponto fixo e estarem em constante mudança, a rotina não deixa de ser parte vital da organização pessoal de Gabriel e Bianca.
“A gente tenta manter uma rotina que esteja alinhada com o que a gente acredita, com o que a gente vive. Mas algumas coisas mudam”, explicam.
Para os curiosos, o casal detalha um pouco mais do dia a dia vivendo sobre quatro rodas:
“Basicamente a gente acorda, esquenta água e toma em jejum, a Bia vai para as práticas de yoga e eu geralmente durmo um pouco mais ou dou aula de inglês. Depois de tomar café, a gente começa a produzir os artesanatos”.
Mas, que artesanatos?

VENDER ARTE NA PRAIA
Os artesanatos em questão são parte da fonte de financiamento que o casal encontrou para sustentar as viagens. Bianca é a responsável pela produção dos macramês, e, de acordo com Gabriel, o dom vem de família.
“O trabalho artesanal na família da Bia é ancestral. A avó dela faz artesanato, a mãe dela, e, agora, ela também tem um modo novo para fazer”.
Além dos macramês, o casal também vende docinhos, produzidos pelo próprio Gabriel.
As vendas geralmente acontecem aos finais de semana, e o casal ainda detalha um pouco sobre a experiência vivida em cada cidade e de como são acolhidos pela população local.
“A gente trabalha vendendo mesmo mais de sexta, sábado e domingo. A galera para, conversa, quer saber mais… O lugar que a gente ficou mais tempo, em Peruíbe, era do lado de um quiosque na orla da praia. A dona do quiosque amou de paixão, quando a gente foi embora ela ficou triste. A gente também ficou um pouquinho triste”.

COMO SABER O PRÓXIMO DESTINO?
O casal, que está há mais de seis meses em rota, explica que a definição de um roteiro não foi uma prioridade. A escolha do próximo destino é feita a partir de fatores variáveis, que vão da vontade própria dos dois, à compromissos e imprevistos.
“Nossa vida é planejamento semanal, diário, toda vez, toda hora, a gente acaba mudando. No começo era meio frustrante, porque a gente gostava de tudo planejadinho e nada dava certo então a gente precisa deixar soltar, deixar ir e as coisas vão fluindo e acontecendo conforme tem que acontecer e a gente se adapta às mudanças.”
O plano é conhecer o Brasil inteiro, e a vontade do casal é de iniciar essa jornada pelo Nordeste. O resto, o destino decide.
No mês de abril, eles estiveram em Bauru por conta de um casamento. A volta para o ponto zero foi uma oportunidade para refletirem o quanto haviam mudado desde a primeira vez que se encontraram no Vitória Régia.
“A primeira coisa que a gente fez quando chegou [no parque], a gente sentou para tomar uma breja. Hoje a gente nem bebe mais. Mudou muita coisa, a gente conheceu mais sobre espiritualidade, abrimos a nossa mente para outros tipos de visões, né?”.

PARA QUEM QUISER FAZER IGUAL
Para pessoas que têm o desejo de viajar o Brasil como o Gabriel e a Bianca, aqui vai a dica do casal:
“Vai com medo mesmo. A gente tem medo até hoje, ainda mais assim, trabalhar por conta, sem ter um salário fixo, também é outro medo, mas são… São barreiras que a gente vai rompendo”, eles orientam.
É possível acompanhar um pouco da aventura dos dois pelo perfil no Instagram @contossobrerodas.
