Com universidades públicas de grande porte, oferta de serviços e localização estratégica no centro do estado, Bauru consolida-se como destino de quem busca estudar ou trabalhar fora dos grandes centros. Os dados socioeconômicos ajudam a explicar esse movimento, assim como os relatos de quem escolheu morar na cidade.
Segundo o IBGE, o PIB per capita de Bauru foi de R$ 43.806,93 em 2021, indicador que mede a riqueza econômica produzida por habitante. Já o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que avalia renda, educação e longevidade, atingiu 0,801 em 2010, patamar considerado alto. Em 1991, esse índice era de 0,607; em 2000, de 0,736. O IDHM varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano, sendo usado como base para políticas públicas, diferentemente do PIB, que tem foco estritamente econômico.
Além dos indicadores, o crescimento populacional pode indicar a atratividade da cidade. Entre 2020 e 2025, a população de Bauru passou de 379.297 para 392.947 habitantes, um aumento absoluto de 13.650 pessoas, o equivalente a 3,6%.
Cidade cresce acima de municípios semelhantes
O avanço é superior ao de cidades de porte semelhante, como Marília (2,8%) e Americana (2,3%). O crescimento está ligado, em parte, ao fluxo constante de estudantes e profissionais atraídos pelas universidades e pelo mercado regional.
Bauru abriga o maior campus da Unesp, com mais de 6 mil alunos e 19 cursos de graduação, além do campus da USP com os cursos de Medicina, Odontologia e Fonoaudiologia. Esse fator diferencia a cidade de municípios como Americana, que não possui universidades públicas.
Morar em Bauru e trabalhar fora: uma escolha frequente
De acordo com o economista João Pedro Coneglian, a cidade se tornou um ponto estratégico para quem estuda ou trabalha na região. “Quando a gente olha pro estado de São Paulo, Bauru tem um excelente custo de vida de forma geral”, afirma.
Um dos pontos são os custos baixos no dia a dia pela falta de indústrias. Cidades com grandes fábricas possuem salários mais altos, o que pode aumentar preços de moradia, alimentação e outras necessidades básicas. Nesse contexto, Bauru se torna um ponto estratégico por não apresentar os custos de uma cidade industrial, mas permitir o acesso aos salários dessas cidades vizinhas, como Lencóis Paulista e Agudos.
Ou seja, Bauru é um local com perfil econômico fortemente baseado no setor de serviços, explica o economista, enquanto cidades vizinhas concentram indústrias com salários mais altos. “Bauru e a região de Bauru têm uma boa média salarial. Mas quando você vai, por exemplo, para Lençóis Paulista, a média salarial é maior”, diz.
Dados do IBGE indicam que a média salarial de Bauru gira em torno de 2,6 salários mínimos, enquanto Lençóis Paulista chega a 3,1. “Por isso, é muito fácil de ver pessoas que moram em Bauru [para pagar menos pelos serviços] e trabalham em cidades da região”, afirma.
Infraestrutura urbana pesa na escolha
Esse movimento é vivido na prática pela engenheira florestal Amanda Geraldin Lopes, de 27 anos. Natural de Piracicaba, ela trabalha em Lençóis Paulista, mas optou por morar em Bauru. “Eu escolhi morar em Bauru por ser uma cidade mais parecida com infraestrutura em relação a Piracicaba, onde eu morava”, conta.
Amanda destaca fatores como bem-estar, lazer e alimentação. “A gente tem mais opção de lazer, mais opção de mercado, mais opção de academia, de saúde, esporte, lazer. Dá para colocar tudo num pacote só”, diz.
Ela também aponta o impacto da presença industrial no custo de moradia das cidades vizinhas. “O aluguel de Lençóis é mais caro que Bauru”, afirma. Segundo ela, a instalação de grandes empresas aumentou os preços. “Cresceu muito, gerou muito emprego e isso aumentou a especulação imobiliária”.
Quanto custa morar em Bauru?
Dados do site Expatistan, que calcula índices de preços de forma colaborativa, indicam que o aluguel mensal de um apartamento mobiliado de 45 m² em uma área média da cidade custa cerca de R$ 1.077. Já um imóvel de 85 m², geralmente dividido entre duas pessoas, tem valor médio de R$ 1.420.
Nas principais imobiliárias, o aluguel de um apartamento de um quarto na Vila Nova Cidade Universitária — um dos bairros mais frequentados por estudantes — varia entre R$ 1.200 e R$ 2.300, sem considerar taxas adicionais como condomínio e IPTU.
Já nos bairros Jardim Contorno e Jardim Marambá, também bastante procurados pela boa localização, com fácil acesso a pontos de ônibus e mercados, há maior oferta de apartamentos com dois e três quartos. Nesses casos, os valores de aluguel variam de R$ 1.200 a R$ 4.200.
As despesas com contas básicas, como eletricidade e gás, ficam em torno de R$ 250 mensais em um apartamento de 85 m² dividido entre dois moradores. O custo médio de um plano de internet de 8 Mbps é de R$ 85 por mês.
Diante desses valores, o custo de morar em Bauru pode variar significativamente de acordo com o estilo de vida adotado. Considerando aluguel, contas básicas e despesas do dia a dia, o gasto mensal pode ir de cerca de R$ 1.000 a R$ 6.000. A estimativa mais baixa leva em conta a divisão das despesas com outras pessoas, prática comum entre estudantes e jovens trabalhadores.
Vida universitária e economia compartilhada
Para estudantes, dividir moradia é uma das principais estratégias para reduzir custos. A fonoaudióloga Débora Cristina Cezarino, de 26 anos, graduada pela USP em Bauru e atualmente mestranda, mora com outras duas colegas no bairro Vila Universitária.
“Eu moro no Villaggio, que tem três quartos e a gente divide igualmente, fica bem mais em conta”, explica. Segundo ela, dividir o imóvel fez diferença significativa no orçamento. “Eu vi que pra morar sozinho, o pessoal tava gastando ali uns R$ 1.000 e pra dividir eu conseguia gastar R$ 600. Faz diferença”.
Débora conta que a cidade teve peso na decisão de permanecer para o mestrado. “Com certeza influenciou. A região que eu moro é muito boa. Tem muita facilidade em fazer o que eu quero”, afirma.
Alimentação, transporte e lazer
No início da graduação, Débora considerava Bauru mais barata que Piracicaba, especialmente na alimentação. “Eu achava Bauru muito mais barato do que Piracicaba no sentido de alimentação, tanto mercado quanto para comer fora”, diz.
Com o tempo, ela percebeu uma equiparação, mas ainda vê vantagem no custo do aluguel. “Eu moro perto de tudo aqui em Bauru e eu gasto R$ 600. É diferente”, afirma.
No transporte, a estudante relata custos baixos. “Eu me locomovo de Uber 100%. Qualquer lugar que você vai aqui dá R$ 8. Eu acho barato”.
Já Amanda destaca opções gratuitas de lazer e esportes. “Eu achei forte em relação a esportes, principalmente ali na Getúlio”, se referindo à região onde mora.
Dicas para quem pensa em se mudar
Para Coneglian, planejamento é fundamental. “Definir qual é o estilo de vida que você quer ter é o primeiro passo“, afirma. Ele recomenda focar principalmente em moradia e transporte, que concentram os maiores gastos.
“Os locais mais próximos das universidades costumam ser mais caros, mas às vezes você acaba economizando em transporte e tempo”, diz. Segundo ele, tempo também deve ser considerado como custo. “Você tende a gastar mais tempo, que não é precificado, mas a gente sabe que é precioso”.
O economista também aponta vantagens menos óbvias da cidade. “Bauru tem preços competitivos de alimentação, aluguel relativamente mais barato e um preço de combustível muito competitivo”, afirma.
Um polo de oportunidades
Apesar de não ser um polo industrial, Bauru se beneficia da proximidade com grandes empresas como Bracell, Ambev, Tilibra e Haribo, além de oferecer ampla educação e lazer.
“Você estando em Bauru, você está numa cidade maior, com mais opções de lazer que vão desde o mais barato até o mais caro”, resume Coneglian. Para ele, o conjunto de fatores faz diferença: “No geral, Bauru é sim uma cidade boa e economicamente interessante para se morar”.
Para quem pensa em mudar por estudo ou trabalho, a cidade se apresenta como um meio-termo entre o interior e os grandes centros, com custos controláveis, estrutura urbana e acesso a oportunidades que vão além de seus limites geográficos.
