Visagista, dona do salão de beleza MG Gueller e Expert Club Wella, Márcia Gueller acompanha de perto os movimentos internacionais da beleza. Ao lado do filho, Lucas, especialista em coloração pela L’Oréal, reforçam um ponto essencial: tendência não é receita pronta.
O cenário, hoje, tem outros afluentes. “Às vezes não é só dinheiro, é tempo, é rotina, é vida. Se eu inventar um cabelo em que a cliente precisa voltar ao salão a cada 10 dias, acabou a amizade”, diz Márcia, que é especializada em loiros e terapeuta capilar.

O que é visagismo e por que ele importa mais do que a moda
Muito além de escolher um corte bonito ou a cor da estação, o visagismo é um estudo que considera formato de rosto, tom de pele e estilo de vida antes de qualquer mudança.
Segundo a especialista, a moda entra como referência, mas não manda. Por isso, o visagismo deixa de ser uma técnica isolada e passa a ser quase automático no atendimento. “Quando a cliente senta na cadeira, a gente já entende o que funciona para ela”, explica.

É esse olhar que evita erros comuns, como escolher um corte que exige uma manutenção incompatível com a rotina ou uma cor que não conversa com a paleta de cada pessoa, ou seja, seguir a tendência sem que faça sentido para a pessoa.
Loiros e ruivos terrosos
As tendências surgem, então, como referências e inspirações para adaptar, e é nesse sentido que os especialistas apontam a moda.
Para Lucas, que também é especialista Redken, um dos movimentos mais evidentes em 2026 é a consolidação das cores quentes. Depois de quase duas décadas dominadas por mechas frias, platinados intensos e fundos escuros, o cenário muda.
Agora, o protagonismo é dos loiros dourados, acobreados, marrons iluminados e tons terrosos. A raiz mais quente, antes considerada um “erro”, passa a ser parte do visual.

Esse movimento não surgiu por acaso. Ele dialoga com uma estética mais orgânica, inspirada no cinema dos anos 1980 e na busca por um visual mais vivo e menos artificial. Ícones de beleza como Grazi Massafera e Sasha Meneghel ajudam a reforçar essa tendência, que já se espalhou pelo street style e pelos salões.
Entretanto, a cor quente não é sinônimo de cor universal e é aqui que entra as técnicas do visagismo. “Existem várias nuances dentro do mesmo tom. O loiro ideal depende da base natural do cabelo e da manutenção possível”, explica o colorista.
Há, porém, apostas mais certeiras. “Eu acho que o marrom é o que sempre vai estar em alta”, crava Lucas. Ele ainda faz uma previsão para o ano: “2026 é um ano 50/50: muita busca por textura natural, mas cores cada vez mais ousadas”.
O cabelo da vez: franjas, camadas e versatilidade
Quando o assunto é corte, 2026 mantém algumas apostas já conhecidas, mas com uma nova leitura. As franjas continuam em alta, especialmente versões mais longas e leves, como curtain bangs, butterfly e variações desfiadas.
No entanto, o visagismo novamente aparece como protagonista. Segundo Márcia, nem todo rosto comporta franja. O objetivo não é copiar um estilo, mas adaptá-lo.
As camadas também seguem fortes e ajudam a construir um cabelo mais funcional. “O cabelo de hoje precisa funcionar liso, cacheado, preso ou solto”, diz ela. A ideia é abandonar o visual engessado e apostar em movimento.
Textura natural: o retorno do cabelo real
Outra mudança importante é o afastamento da chamada “ditadura do liso”. Progressivas, cabelos excessivamente alinhados e sem movimento começam a perder espaço para fios com textura e até frizz.
“A mulher confunde textura com volume. Textura é identidade”, pontua a especialista.
Esse movimento também dialoga com um resgate da saúde capilar, depois de uma geração marcada pelo excesso de química e pelos danos acumulados ao longo dos anos.
A tendência é adaptar ao seu estilo e realidade
No fim das contas, a principal tendência de 2026 é clara: personalização. Um dos pontos mais fortes da conversa é a quebra do mito comum que toda tendência deve ser seguida por todas as pessoas. Na prática, isso raramente funciona.
Por exemplo, os loiros e ruivos terrosos como os de Sasha Meneghel se consolidam como um artigo de luxo. O resultado envolve várias idas ao salão e um investimento alto.

As redes sociais também entram na conversa como um dos grandes desafios do momento. Referências irreais, muitas vezes criadas por inteligência artificial, chegam ao salão como desejo.
O papel do profissional, nesse contexto, é traduzir o desejo em algo possível e sustentável. Na MG Gueller, a prioridade sempre foi a saúde dos fios, não o resultado momentâneo. “A felicidade do cliente não pode durar só até a porta do salão”, resume Márcia.
Serviço
MG Gueller
Endereço: Rua Dr. Olímpio de Macedo, 3-44 – Vila Nova Cidade Universitária
Contato: (14) 99189-0688
Atendimento: De quarta a sábado, das 10h às 18h
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