“Cadê o Seu Joaquim?” Essa é a pergunta mais comum de quem chega à Casa da Bomba nos últimos meses. A empresa, com 15 anos de atuação em bombas d’água e assistência técnica, foi fundada por Joaquim Carneiro de Mendonça Neto, que faleceu em janeiro.
A partida dele aconteceu antes de saber que a filha, Angélica, assumiria a gestão do negócio. Formada em Engenharia Elétrica pela Unesp de Ilha Solteira, Angélica construiu carreira em São Paulo, onde trabalhou em uma multinacional.

Apesar do desejo do pai de vê-la à frente da empresa, ela hesitou. Não acreditava que conseguiria ocupar o espaço deixado por ele.
Um legado a honrar
“Quem sou eu na fila do pão? Ele era um gênio, extremamente inteligente, com muita experiência em comércio e assistência técnica”, afirma. A admiração não é apenas da filha: clientes também compartilham esse sentimento, por isso continuam perguntando pelo fundador.
“Ele ajudou muitas pessoas, era honesto e muito bondoso”, relembra.

Embora já conhecesse o caráter do pai, o retorno a Bauru reforçou essa percepção. As histórias que ouviu de clientes e parceiros ampliaram a dimensão do legado deixado por ele.
Continuidade com inovação
Diante desse cenário, Angélica decidiu dar sequência ao trabalho, mantendo valores como honestidade, conhecimento e dedicação. Ao mesmo tempo, busca imprimir uma nova dinâmica à empresa.
Para somar à formação acadêmica e experiência profissional, passou a investir também em capacitação específica no setor, com cursos voltados para a área de bombas d’água e gestão.

A comunicação é uma das frentes de mudança. Segundo ela, o pai era o principal responsável por divulgar o negócio, de forma direta e pessoal. Agora, Angélica aposta em conteúdos informativos no Instagram (@casadabombabauru) e faz questão de preservar e compartilhar a história do fundador, destacando sua importância para a identidade da empresa.
Um serviço para a sociedade
O compromisso com o atendimento é uma das marcas deixadas por Seu Joaquim. Por mais de 40 anos, ele se dedicou ao setor, primeiro em Reginópolis e depois em Bauru. Não importava o horário: se uma fazenda enfrentasse falta d’água, ele estava disposto a ajudar, inclusive de madrugada.

“É horrível ficar sem energia elétrica, mas você já ficou sem água em casa? É aterrorizante”, frisa. Situações como essa não são incomuns na região. No início do ano, de acordo com o DAE (Departamento de Água e Esgoto de Bauru), 16 bairros de Bauru ficaram sem abastecimento após uma falha eletromecânica na bomba do poço Marabá.
Para a família, oferecer um serviço essencial vai além do negócio.“A roupa que eu estou vestindo, alguém fez, o alimento que eu estou comendo, alguém fez. Então, o que que eu vou fazer em troca para as outras pessoas?”, reflete.
Mais de 200 tipos de equipamentos
Atualmente, a Casa da Bomba conta com mais de 200 tipos de equipamentos, entre modelos submersos, centrífugos e periféricos, além de acessórios para instalação. A empresa também é assistência técnica autorizada de marcas como Anauger, WDM Pumps Brasil, Eletroplas, Schneider Motobombas e Ferrari.

Outro diferencial é a consultoria gratuita, com profissionais preparados para orientar clientes tanto na manutenção quanto na escolha de novos equipamentos.
De pai para filha
Durante anos, Seu Joaquim sonhou em ver a filha envolvida no negócio. Na adolescência, porém, Angélica tinha outros planos. Aos 17 anos, enquanto cursava eletrônica no CTI, queria explorar novos caminhos.
O tempo trouxe novas experiências: tornou-se a primeira engenheira mulher contratada em sua antiga empresa, viajou, construiu carreira e formou uma família. Hoje, mãe de duas meninas, reconhece que o pai estava certo.

Ao lembrar do convívio com o melhor amigo, o carinho é evidente. “Diziam que, a cada dez palavras que ele falava, uma era sobre mim”, conta. Agora, é ela quem dá continuidade à história e com entusiasmo: “Estou amando trabalhar com isso. Estou feliz de verdade”.
![]()
