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Saúde / Esportes

Psicóloga de Bauru questiona: até que ponto normalizamos o que nos faz sofrer?

Psicóloga clínica de orientação psicanalítica, Maria Nascimento, atua em Bauru com atendimentos presenciais e online

Social Bauru
By Social Bauru
Publicado 17/08/2026
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Foi o calor de Bauru que atraiu Maria Nascimento para a cidade. Natural de Curitiba, onde nunca conseguiu se acostumar com o frio, morou em diversos lugares ao longo dos seus 30 anos antes de chegar ao interior paulista. “Soube que era uma cidade animada, universitária, que fazia calor… obviamente não imaginava quanto calor”, brinca ela.

Índice
  • O sofrimento
  • O que a clínica revela
  • A psicoterapia não precisa ser o último recurso
  • “A cura pela fala”
  • Para além de respostas prontas
  • Vagas afirmativas
  • Essa é Maria
  • Serviço

Ainda na infância, Maria passava horas lendo e se encantava pelos personagens dos livros. Gostava de compreender seus conflitos, motivações e sentimentos. Por isso, escolheu a Psicologia como profissão, na cidade de Bauru, pelo Unisagrado. Da ficção para a clínica, encontrou a possibilidade de seguir investigando aquilo que move as pessoas.

“Na adolescência, sempre que eu conhecia novas pessoas, me interessava muito como elas pensavam e o que eu tinha para aprender com a forma como cada uma delas se relacionava com a própria vida”.

O sofrimento

Na clínica, esse interesse ganhou uma nova dimensão. Na avaliação da psicóloga, nem sempre a gravidade aparente de um sofrimento corresponde aos efeitos que ele produz na vida de alguém.

“Nem todo sofrimento é evidente. Muitas vezes, a gente continua funcionando. Continuamos estudando, trabalhando, indo ao mercado, cumprindo com as nossas responsabilidades cotidianas, mas o fato de seguirmos funcionando não diz tudo sobre como estamos”, analisa.

O que a clínica revela

A psicóloga possui cinco anos de experiência em atendimento clínico, sendo três deles na Clínica Escola do Unisagrado, onde realizou atendimentos gratuitos à comunidade. Atualmente, mantém formação continuada em psicanálise, com pós-graduações em psicanálise e saúde mental; e psicanálise, arte e literatura.

A partir da experiência clínica e formação, ela passou a identificar uma tendência: a de naturalizar formas de sofrimento que passam a fazer parte da vida cotidiana, em uma sociedade que valoriza o desempenho e a adaptação, muitas vezes, acima do bem-estar.

Ela explica que, quando determinada experiência passa a ser coletiva, cresce também a tendência de deixar de questioná-la. Nesse contexto, segundo ela, a resistência à psicoterapia mudou de forma. “Se antes essa discussão partia de um preconceito com a psicoterapia, hoje ela parte muito mais da nossa dificuldade de reconhecer nosso sofrimento como algo que merece atenção”.

Para a psicóloga, criou-se uma ideia de que é preciso chegar a um limite para justificar a busca por ajuda profissional. “É quase como se existisse um pacto silencioso, hoje em dia, de que o sofrimento precisa atingir determinado tamanho para justificar uma psicoterapia”, conclui.

A psicoterapia não precisa ser o último recurso

Dados do Instituto Cactus mostram que apenas 5,1% dos brasileiros fazem psicoterapia. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com a maior proporção de pessoas ansiosas: 9,3% da população, segundo a estimativa global sobre transtornos mentais da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada em 2025.

Com esse cenário em mente, a normalização acompanha outra ideia: a busca por um tratamento quando o sofrimento já está em estágio avançado. “Existe uma ideia de que a psicoterapia é um último recurso. Na prática, é também um espaço para compreender aquilo que começa a se repetir muito antes de uma crise se instalar”.

“A cura pela fala”

Para além dos momentos de crise, a psicoterapia abre espaço para aquilo que nem sempre conseguimos compreender ou nomear sozinhos. Para Maria, há coisas sobre nós mesmos que só começam a aparecer quando encontram condições para serem ditas. É nesse espaço de fala e escuta que aquilo que parecia confuso, distante ou difícil de nomear pode começar a ganhar outros sentidos.

Para ela, é comum acreditar que lidar com algo sozinho é um sinal de autossuficiência. Isso faz com que muitos sequer considerem a psicoterapia como uma possibilidade.

“Ainda nos estudos que antecederam a psicanálise, Freud se interessou pelo o que uma paciente havia chamado de ‘talking cure’ ou, em português, ‘cura pela fala’. Não porque falar, por si só, cure alguém, mas porque há coisas sobre nós mesmos que só começamos a perceber quando nos ouvimos falando sobre elas. Uma lembrança ganha outro sentido, começamos a perceber aquilo que se repete e, aos poucos, podemos compreender de outra maneira algo que antes apenas nos fazia sofrer”.

Para além de respostas prontas

A referência a Sigmund Freud, fundador da psicanálise, não é por acaso: sua teoria é que orienta o trabalho de Maria. E na perspectiva psicanalítica, o trabalho não parte da ideia de uma vida sem sofrimento. Conflitos, luto e perdas fazem parte da experiência humana e continuarão presentes ao longo da vida.

Ela explica que a psicanálise não se orienta pela transmissão de respostas prontas. A intenção é criar as condições para que cada pessoa possa estabelecer uma nova relação com aquilo que vive.

“Não se trata de acabar com conflitos ou com aquilo que eles provocam em nós, mas de transformar a posição que ocupamos diante deles. A partir disso, podemos construir novos sentidos e outras formas de lidar com aquilo que inevitavelmente faz parte da experiência humana”.

Vagas afirmativas

A psicóloga entende que a acessibilidade a esse cuidado ainda é limitada também por questões socioeconômicas. Por isso, ela reserva alguns horários da agenda para vagas afirmativas, destinadas a pessoas que desejam iniciar a psicoterapia, mas encontram limitações financeiras.

Para solicitar uma avaliação, basta entrar em contato pelo WhatsApp. A partir de uma conversa inicial e uma breve avaliação da demanda e da disponibilidade de vagas, será verificado se essa modalidade de atendimento é adequada para o caso.

Havendo disponibilidade, o atendimento pode ser realizado por um valor reduzido.

Essa é Maria

Entre um atendimento e outro, Maria escuta relatos de um cansaço persistente, de angústias difíceis de nomear e de questões que, muitas vezes, foram incorporadas à vida como se simplesmente fizessem parte dela.

É diante dessas diferentes formas de sofrimento que Maria situa seu trabalho clínico, criando um espaço em que aquilo que tantas vezes carregamos sozinhos possa ser colocado em palavras e compartilhado.

Seu interesse pelas histórias e pelos conflitos de personagens literários, presente desde a infância, encontra hoje outra forma de existir.

“Não existe nada do que eu sou hoje que não tenha sido atravessada pela minha formação”, reflete a psicóloga.

Serviço

Maria Nascimento – CRP 06/224643
Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 11h, mediante agendamento, online ou em local a combinar
Agendamento ou dúvidas: (14) 98174-1220

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