Entre uma campanha em Paris e um desfile em Milão, a modelo Ana Clara Falconi costuma fazer um movimento que foge da lógica da indústria: retornar para sua cidade natal – neste caso, a cidade lanche. Não como um evento ou compromisso profissional, mas como rotina pessoal. “Nasci e cresci em Bauru. é onde minha família vive e onde tenho amigos de infância. Sempre que estou no Brasil, faço questão de voltar para cá”, diz.
Com uma carreira cada vez mais consolidada no circuito internacional, Ana vêm ganhando protagonismo nas semanas de moda pelo mundo afora. Mas sua história não começou com uma descoberta relâmpago nem com vídeos virais. Começou com curiosidade de criança e paciência de quem constrói com consistência.

Os primeiros passos
O interesse pela moda surgiu cedo, ainda na infância. E foi logo aos 18 anos que as primeiras movimentações profissionais começaram. A viagem até São Paulo para visitar algumas agências resultou em um contrato, seguido por uma aparição no São Paulo Fashion Week e um editorial para a Vogue. Em pouco tempo, a IMG Worldwide — uma das maiores agências do mundo — demonstrou interesse. Ana assinou com eles e, em questão de meses, já estava viajando pelo mundo a trabalho.
A estreia internacional veio em 2020, com uma temporada na Coreia do Sul. “A Ásia é conhecida como uma grande escola para modelos, e como estávamos em plena pandemia, foi uma porta que se abriu de forma estratégica.”, explica Ana, em entrevista ao Social Bauru.
O salto na carreira
Em 2021, Ana desfilou para Yves Saint Laurent em Paris — sua primeira grande vitrine na Europa. No ano seguinte, esteve em coleções de marcas como Dries Van Noten e Courrèges.
A virada definitiva viria na Temporada SS25 (Spring/Summer 2025), realizada em Setembro de 2024, ao abrir o desfile da Bottega Veneta na semana de moda de Milão. “Esse momento abriu muitas portas para outras marcas de peso como Celine, Alexander McQueen, Moschino, Chanel, Blumarine, Etro, Khaite, entre outras.“
De lá pra cá, a lista de trabalhos inclui campanhas para YSL Beauty, Zara, Mango, Farm, Schutz, Shoulder, Animale e H.Stern. Ela também passou pelas páginas da Vogue, Re-Edition, Madame Figaro e outras revistas internacionais.
Mesmo com a agenda cheia, Falconi evita superlativos. Fala com calma sobre as conquistas, sempre associando o sucesso a uma soma de fatores — dedicação, sorte, gestão de tempo e um certo estofo emocional. “Sempre penso na Ana de 5 anos… ela jamais imaginaria estar vivendo esse sonho. Ver o quanto cresci, o que conquistei e ainda estou conquistando, é uma sensação indescritível. Trabalhar com nomes e mentes tão incríveis da moda me enche de felicidade e gratidão. Cada passo dado é uma construção do meu nome nesse universo que sempre admirei.”

A (louca) rotina da vida
A vida fora das câmeras e passarelas envolve deslocamentos quase constantes. “A vida tem sido uma verdadeira loucura — viajo muito, às vezes trabalho em quatro países e duas cidades diferentes numa mesma semana.”, relata. Em meio a esse ritmo, manter uma rotina de autocuidado vira desafio. “Tento manter uma rotina de exercícios, hobbies e alimentação equilibrada, mas nem sempre consigo — faz parte.”
Ao falar sobre a carreira, Ana evita tanto o glamour vazio quanto o discurso superado do “sofri, mas venci”. Prefere o tom de processo: uma construção ainda em andamento, com foco no longo prazo. “O que mais desejo é continuar conquistando espaço com meu trabalho, sendo reconhecida por marcas, clientes e fotógrafos renomados. Quero deixar minha marca, com autenticidade, dedicação e amor pelo que faço.”

Para alguém que circula entre as principais capitais da moda, o retorno ao interior paulista pode parecer contrastante. Mas é justamente esse contraste que sustenta o equilíbrio. “Faço questão de voltar para cá (Bauru) […] Estar com eles (família e amigos), recarregar as energias e aproveitar momentos simples é algo que valorizo muito.“
