Uma sala, uma TV, Mamonas Assassinas tocando e um menino dançando, descobrindo seu amor pela arte de se expressar. Assim, Matheus Martins, ator de Bauru, ainda pequeno, demonstrava sinais de que o destino o levaria para o universo da televisão.
Na adolescência, o hábito de assistir novelas e a admiração por Silvio Santos alimentavam a imaginação fértil do garoto que escrevia pequenas histórias e roteiros improvisados.
A descoberta do teatro
Em 2011, já morando em Bauru, iniciou a vida profissional como menor aprendiz, mas, ao conhecer o Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, descobriu o poder transformador da arte. “Eu era muito tímido. O teatro me ajudou a me libertar, a expandir meus pensamentos e a ter mais criatividade”, conta. Sob a direção do professor Elio Andreotti, participou das peças K-O Processo (2014) e O Labirinto (2015).
Olá, Rio!
Mas foi em 2019 que a coragem falou mais alto. Com uma mochila nas costas, duzentos reais na carteira e um sonho imenso, Matheus partiu para o Rio de Janeiro. “Vim na cara e na coragem. Não conhecia ninguém. Foram altos e baixos, noites sem dormir, mas eu tinha um propósito”, recorda.
No Rio, descobriu o universo da figuração. Começou participando de produções na Globo, na Record e no cinema, experiência que, segundo ele, foi tanto enriquecedora quanto desafiadora: “Mas foi da figuração que eu tive uma grande oportunidade como ator.”
Grandes produções
Essa oportunidade veio em 2022, quando participou da novela da Globo Além da Ilusão, interpretando o alfaiate Cardoso. “Foi uma experiência incrível. Atuei ao lado de artistas como Alexandra Richter e Arlete Salles”, conta. No mesmo ano, participou de Nosso Lar 2, de Wagner de Assis. Viveu, também, um dos papéis mais marcantes de sua carreira: Zannoni, o empresário que rejeita os desenhos do jovem Maurício de Sousa em Mauricio de Sousa: O Filme.
“Cheguei ao set para fazer figuração, mas a produtora perguntou se eu era ator e se tinha DRT (registro profissional obrigatório para quem quer atuar). Quando disse que sim, me levaram para maquiagem e figurino. O diretor, Pedro Vasconcellos, me pediu para improvisar”, relembra.
Em 2023, esteve na peça A Herança, ao lado de Reynaldo Gianecchini e Bruno Fagundes, interpretando um fantasma que simboliza as gerações de homens gays vítimas da AIDS. No ano seguinte, contracenou com Léa Garcia em Bela LX-404, vencedor do Pan African Film Festival 2025.
Matheus ainda integrou os curtas Solum, Azul Bebê e A Louça do Almoço, além de estrear na Record em Paulo, o Apóstolo. Cada papel, ele diz, é uma oportunidade de cura e descoberta. “Atuar é terapia. É viver diferentes vidas e se transformar em cada uma delas”.
Persistência
Hoje, o menino que dançava em frente à TV celebra uma jornada de mais de uma década de persistência. Do teatro em Bauru aos sets de filmagem no Rio, Matheus viu que os sonhos não se medem pelo tamanho, mas pela coragem de vivê-los. “Planejar nem sempre quer dizer algo, ainda mais quando os planos de Deus são maiores que os seus”.
