“Todo talento merece ser visto. Queremos que a diferença seja o esforço e o talento, não o contato ou o dinheiro.”
Essa frase resume o queRodrigo Zulim e Thiago Viola estão construindo.
O Base ID é uma plataforma idealizada no final de 2025, que funciona como um portfólio esportivo digital para atletas de base, ou seja, com idade dos 7 aos 17 anos. O intuito é fazer com que jogadores que antes não tinham nenhum suporte sejam vistos.
Em pouco mais de 40 dias no ar, já soma quase 300 usuários cadastrados e negociações internacionais acontecendo dentro da plataforma, número bem acima da projeção dos criadores.

O estalo veio em um vestiário
Os dois se conhecem desde os 8 anos, jogaram juntos até os 18, mas seguiram carreiras na tecnologia. O futebol voltou pela porta dos filhos.

Quando o filho de Thiago, o Vicenzo, foi dispensado pelo Palmeiras após uma boa temporada, o pai começou a rodar clubes da região. Red Bull Bragantino. Audax. São Bento. Em todo lugar, a mesma cena: diretores perguntando ‘Quem é ele?’, ‘Em que posição joga?’, ‘O que já ganhou?’.
Não havia um perfil. Não havia histórico. Não havia nada.
“Quando éramos jovens, também não tínhamos esse perfil. A gente tem história. Jogamos em tal lugar, fizemos tal coisa, mas a trajetória estava perdida”, conta Thiago, relembrando do estalo que levou à plataforma.
O mundo corporativo tem o LinkedIn. O esporte não tinha nada equivalente. Pronto! Foi aí que viram a oportunidade, que rapidamente teve o nome definido: Base ID.
O que é o Base ID?
A plataforma funciona como um portfólio histórico esportivo digital. O atleta cria um perfil gratuito, identificando posição, pé dominante, time, histórico de clubes, gols, assistências, títulos, fotos e vídeos.
Pais, atletas, escolinhas e olheiros usam a plataforma. Os menores de 18 anos passam por dupla verificação, e o responsável precisa autorizar o perfil para que ele se torne público. A proteção está no centro do modelo.

“Os meninos aproveitam bastante, porque a plataforma é gamificada“, conta Rodrigo, ao falar sobre as interações entre os atletas na Base ID. O menino cria uma “figurinha”, marca amigos e compartilha os lances nas redes sociais. Um diferencial é o selo de autenticidade da plataforma, que garante a veracidade dos dados publicados.
Em breve, via inteligência artificial, o app poderá gerar artes personalizadas para divulgar os jogos.
O problema dos 8 olheiros
Um clube. Oito olheiros. O Brasil inteiro para cobrir.
Esse dado, apresentado por Thiago Viola em nossa entrevista, explica muito sobre por que tantos talentos somem antes de serem descobertos – e a outra motivação para criar o Base ID.

“Em um país com 250 milhões de habitantes, os olheiros não conseguem estar em todos os lugares. A plataforma permite favoritar atletas e receber atualizações automáticas de novos gols ou lances.”
A relação começa a existir antes mesmo do primeiro contato presencial. “Ao invés de um em cada mil talentos virar jogador, queremos que dez em cada mil virem“.
Lívia Merino na Ferroviária
Além da adesão acima das expectativas deles, a dupla também já sente efeitos nessa descoberta de talentos. O caso mais emblemático até agora é o de Lívia Merino.
A atleta joga na Ferroviária, no sub-15, e já foi convocada para a seleção brasileira. Desde que entrou na plataforma, virou destaque do primeiro mês, ganhou uma chuteira personalizada do Base ID e despertou o interesse de um clube canadense. As tratativas estão acontecendo via plataforma.
“Quando ela recebeu a chuteira, bombou o Instagram, e a plataforma recebeu muitas meninas que jogam bola criando perfis”, conta Rodrigo.
Esse interesse chegou por um caminho que diz muito sobre o que o Base ID quer construir.
Parceiro da plataforma, Bruno Octávio — ex-jogador do Corinthians, que dividiu vestiário com Tevez, Mascherano, Ronaldo e Adriano — hoje comanda uma empresa de intercâmbio que leva atletas para estudar e jogar nos Estados Unidos e na Europa. Ele é o responsável pelo contato com o time do Canadá.
Tecnologia é um diferencial
Thiago Viola tem longa passagem pela IBM e apareceu na Forbes em matéria sobre inteligência artificial. Isso é parte do que diferencia o Base ID de um simples cadastro online.

A plataforma já está preparada para analisar vídeos com machine learning e IA generativa, trazendo dados de zona quente de chute, distribuição de finalizações, posicionamento em campo, minutagem, entre outros. O técnico e o clube, com esses dados, não vão mais dizer “ele não está treinando bem” sem ter números para mostrar.
“A IA vai servir para trazer insights e informações de maneira proativa, para que você possa olhar, tirar conclusões e melhorar nas versões futuras”, completa Rodrigo.
Além disso, a dupla antecipou um novo braço da plataforma: o Base ID for Training — um app de gestão de treinos que transforma a subjetividade dos vídeos em estatísticas concretas.
Voltar a ser campeão
O objetivo da dupla é que o “link do Base ID” se torne o padrão de apresentação de qualquer atleta.
Por trás dessa meta, há um propósito ambicioso.
“Daqui a 30 anos, queremos ajudar o Brasil a voltar a ganhar Copas do Mundo. Há muito talento invisível por falta de contatos, de empresários ou de recursos financeiros”, conta Rodrigo.
Para isso, a ideia é que mais jovens realizem o desejo de se tornarem profissionais e convertam o potencial em carreira. “Um menino, uma bola e um sonho que se torna realidade”, finaliza Thiago.

A Base ID está disponível gratuitamente para cadastro e conta com versões em português, inglês e espanhol.
