Neste sábado (05), a partir das 19h, a Cia. Mungunzá de Teatro realiza o espetáculo gratuito “anonimATO” no Parque Vitória Régia.
A produção conta com grandes instalações, bonecos, perna de pau, figurino inflável, música e movimentação. A Cia intitula a apresentação como “ato-espetáculo musical de rua”, já que mescla linguagens e ocorre em formato de cortejo.
Sobre “anonimATO”
Oito personagens, figuras anônimas de uma cidade grande, são convocados de várias maneiras para um ato e se encontram na caminhada. “anonimATO”, o primeiro trabalho concebido para a rua da Cia. Mungunzá de Teatro, leva para a cena um ato, um teatro, um encontro.
Com direção de Rogério Tarifa, anonimATO já fez apresentações no Parque da Luz (SP) e nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo, além de integrar a programação do Circuito Sesc de Artes e do Mirada – Festival Ibero Americano de Artes Cênicas. Agora, o espetáculo será apresentado em Bauru (SP).
A sessão integra o projeto de Circulação, fomentada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC). “anonimATO” é uma ode ao teatro e ocorre em um cortejo de 100 metros em linha reta.
O espetáculo também é o primeiro musical do grupo paulistano, já que quase todos os textos foram musicados, além de contar com uma banda em cena. Para isso, anonimATO conta com direção musical e trilha sonora original de Carlos Zimbher. A junção de palavra e canto, uma das marcas da direção de Rogério Tarifa, teve o trabalho de Lucia Gayotto e Natália Nery na direção vocal interpretativa e composição musical do coro.
Idealizado inicialmente para debater o anonimato, a montagem de anonimATO foi se transformando ao longo dos ensaios até chegar com foco no ato e nas manifestações. A montagem, uma homenagem ao fazer teatral, reúne 15 artistas em grandes instalações.
Os oito personagens – a mãe, a mulher-árvore, a vendedora de sonhos, o homem-placa, o pipoqueiro, o trabalhador, o homem que é “todo mundo” e a mulher que é “ninguém” – representam a multidão presente no ato e vão se transformando durante a caminhada. Para o diretor Rogério Tarifa o espetáculo tem um tom fabular a partir do momento que o ato vai se teatralizando. “‘anonimATO’ fala sobre a retomada do teatro como lugar de encontro após a pandemia. Nesse trecho de 100 metros são apresentadas muitas metáforas sobre o acontecimento teatral”, explica.
Já o ator Marcos Felipe conta que após o espetáculo Epidemia Prata, que apontava vários problemas sociais e a dureza das pessoas, a ideia com “anonimATO” é trazer para a cena mais esperança e utopia. “A montagem é um ponto de virada do grupo, pois saímos do seguro e adentramos em outras camadas de poesia. A Mungunzá junto com o Rogério Tarifa tenta descobrir o que é parir e matar o Teatro”, informa.
Utopia e esperança
A atriz e dramaturga Verônica Gentilin ficou responsável pela elaboração final da dramaturgia. Em cima de textos produzidos pelo elenco e direção, Verônica foi criando novos textos. “Não foi um trabalho de emendas ou colagens, mas de atenção literária para a elaboração do macro”, acrescenta ela.
Em sua dramaturgia Verônica apresenta personagens utópicos, repletos de esperança, e a partir disso criou histórias sem compromissos com a realidade. “Os personagens vão se transformando ao longo do ato e do percurso que participam. De seres anônimos e invisíveis eles têm suas histórias contadas como alegorias. São diferentes, mas formam um coletivo e assim formam mais uma metáfora do teatro”, pontua a dramaturga.
Sobre a Cia. Mungunzá de Teatro
A Cia. Mungunzá de Teatro iniciou suas atividades em 2008, com uma pesquisa realizada em parceria com o diretor Nelson Baskerville, em torno do teatro épico de Bertolt Brecht, que gerou o espetáculo “Por que a criança cozinha na polenta?”. Entre 2008 e 2010, a peça realizou temporadas em São Paulo e participou de festivais em todo o Brasil, recebendo mais de 30 prêmios.
Entre 2011 e 2013, também com a direção de Nelson Baskerville, a companhia realizou o premiado Luis Antonio–Gabriela, que narrava a história de transformação do irmão de Nelson Baskerville na travesti Gabriela.
Concebido na perspectiva do teatro-documentário ou documentário cênico, Luis Antonio-Gabriela fez temporadas em São Paulo, além de circular por todo o Brasil e fazer apresentações em Portugal recebendo vários prêmios, entre eles o Shell e o APCA, o da Cooperativa Paulista de Teatro e o Prêmio Governador do Estado de São Paulo.
Em 2015 estreia “Era uma Era”, que inaugura o repertório infantil da Cia. e, no mesmo ano, o grupo leva aos palcos “Poema Suspenso para uma Cidade em Queda”, onde desdobra o tema da família em uma pesquisa sobre os relicários pessoais dos atores e pedaços de histórias, que se unem a experiências universais.
Em 2017, a Cia. inaugura o Teatro de Contêiner Mungunzá, formado por 11 contêineres marítimos em um antigo terreno abandonado no bairro da Luz, centro da cidade de São Paulo. O espaço foi o vencedor do Prêmio APCA na categoria especial de teatro e um dos indicados ao Prêmio Shell de inovação pelo uso arquitetônico inédito voltado para o teatro, inserido na região degradada do centro da capital paulista.
Já em 2018, o grupo estreia “Epidemia Prata”, com direção de Georgette Fadel, que comemora 10 anos do coletivo e devolve ao público de forma engajada e poética a experiência vivida em um ano no centro de São Paulo, desde a criação do espaço na região da Luz. No mesmo ano, a Cia. lança o livro-arte sobre os 10 anos do grupo – Mungunzá: Obá! Produção Teatral em Zona de Fronteira… – com assinatura do pesquisador teatral Alexandre Mate e colaboração de José Cetra.
No início de 2020, “Epidemia Prata” é encenado na Índia no Festival Internacional de Teatro de Kerala e em maio a Cia. Mungunzá de Teatro lança a Mungunzá Digital, uma plataforma virtual com uma programação eclética de conteúdos artísticos, culturais e sociais, pesquisas e projetos de variados artistas, criando um vasto acervo que abre espaço para conversas e aprofundamento nas obras e conteúdos dispostos. O grupo também estreia “Poema em Queda-Live”, espetáculo em três episódios concebido para o universo digital com diversas tecnologias, como softwares de Live Streaming, Vídeo Mapping, manipulação ao vivo de imagens, para de forma inovadora combinar a essência do teatro a diversas formas de artes digitais. Em 2022, a Mungunzá estreia “anonimATO”, primeiro trabalho concebido para a rua e primeiro musical com direção de Rogério Tarifa e em 2023 estreia “Cena Ouro – Epide(r)mia” com direção tripla de Georgette Fadel, Cris Rocha e Tânia Granussi e participação de sete não atores, pessoas que
trabalham ou moram na região conhecida como “Cracolândia”, no Centro de São Paulo, para evidenciar o que não é mostrado sobre esse território. A nova montagem integrará a programação do Festival C’est Pas Du Luxe, em Avignon, na França.
Serviço
“anonimATO” – Espetáculo de rua da Cia. Mungunzá de Teatro
Data: 5 de outubro, sábado, às 19h.
Local: Parque Vitória Régia (Avenida das Nações Unidas)
Apresentação acessível para deficientes auditivos
90 minutos | Livre | Gratuito.
Ficha Técnica de “anonimATO”
Direção – Rogério Tarifa.
Argumento – Pedro das Oliveiras.
Dramaturgia – Verônica Gentilin.
Textos (base para dramaturgia) – Elenco, Rogério Tarifa e Verônica Gentilin.
Elenco – Fabia Mirassos, Léo Akio, Lucas Bêda, Marcos Felipe, Paloma Dantas, Pedro das Oliveiras, Sandra Modesto e Virginia Iglesias.
Direção Musical e Trilha Sonora Original – Carlos Zimbher.
Direção Vocal Interpretativa e Composição Musical do Coro – Lucia Gayotto e Natália Nery.
Corpo de trabalho (butô) – Marilda Alface.
Colaboração Cênica – Luiz André Cherubini.
Banda – Daniel Doc (guitarra), Flávio Rubens (clarinete, sax e rabeca), Nath Calan (percussão e bateria), João Sampaio (substituto – guitarra) e Luana Oliveira (substituta – bateria).
Pré-produção Musical – Daniel Doc.
Figurinos – Juliana Bertolini.
Assistente de Figurino – Vi Silva.
Costureiras – Celeni Viana, Francisca Lima, Cissa Carvalho e Lucita.
Construção Figurino Inflável – Juan Cusicanki.
Cenografia – Fábio Lima, Lucas Bêda, Luiz André Cherubini e Zé Valdir.
Adereços e Bonecos – Zé Valdir.
Operadores de Som – Guilherme Christiano.
Contrarregras – Fábio Lima, Mariana Beda e Tony Franthesco.
Poesia Gráfica (placas, carrinhos e bandeiras) – Átila Fragozo [Paulestinos].
Treinamento de Perna de Pau – Fábio Siqueira.
Fotos – Letícia Godoy, Mariana Beda e Pedro Garcia de Moura.
Assessoria de Imprensa – Frederico Paula [Nossa Senhora da Pauta].
Produção Executiva – Gustavo Sanna [Complementar Produções].
Produção Geral – Cia. Mungunzá de Teatro.
Produção Local – Talita Neves – Alumia Criativa
