Um tempo de calma foi o que impulsionou duas amigas, Caroline Paganeli e Juliana Oba, a criarem um clube de hobby. Tudo começou ao perceberem que momentos para fazer atividades fora das telas geravam uma sensação diferente da rotina.
“Nós já somos amigas há bastante tempo, então sempre nos encontrávamos. Entretanto, quando fazíamos alguma atividade diferente, percebíamos que era muito mais divertido e então pensamos: por que não levar para mais pessoas, que talvez também precisem disso?”, relembra Carol.

A ideia também encontrou espaço na rotina de pessoas que já tinham atividades artísticas, mas haviam deixado de fazê-las simplesmente pelo prazer de fazer.
Foi o que aconteceu com Clara Oliveira, uma das participantes do Clube da Calma. Ela conheceu o grupo pelo Instagram e decidiu participar do primeiro encontro para fazer um vaso de cerâmica. Naquele momento, ela havia começado um ateliê artístico, mas sentia que a arte tinha passado a ocupar apenas o lugar de profissão.
“Era uma coisa que eu gostava tanto, mas que era só uma fonte de renda para mim. E estava sentindo falta de só poder ir fazer alguma coisa porque era legal, porque era divertido.”

Ter um hobby é algo que muita gente gostaria de incorporar à rotina. Na prática, porém, encontrar tempo para isso nem sempre significa conseguir fazê-lo. Depois de um dia de trabalho, entre tarefas domésticas e outras obrigações, o tempo livre pode terminar diante do celular, percorrendo as redes sociais. A ideia de fazer algo diferente fica para depois.
Foi justamente essa distância entre querer ter um hobby e, de fato, reservar um tempo para praticá-lo que chamou a atenção das fundadoras do Clube da Calma. Para elas, o encontro presencial cria um compromisso sem carregar o peso de mais uma tarefa a cumprir.

Desde então, são dois encontros por mês, cada um dedicado a um hobby diferente. Entre as atividades já realizadas estão cerâmica, pintura em taças, bolachas decoradas e aquarela, além de outras experiências. Mais do que aprender um novo hobby, os encontros abrem espaços para fazer atividades manuais sem a necessidade de transformar o tempo livre em produtividade.
“Eu não senti nenhuma expectativa de que a gente sentasse ali e entregasse alguma coisa perfeita. […] Você pode errar, pode recomeçar, pode tentar de outro jeito. E isso é um pouco surpreendente, porque eu acho que em todos os lugares da nossa vida a gente tem expectativa de que tudo tem que ser perfeito. Quando a gente vai no clube, eu sinto que isso é um pouco mais leve. Eu não fiz o vaso perfeito e estava ótimo”, destaca Clara.

Além do hobby
Os encontros acontecem em um jardim, aos pés de uma primavera de aproximadamente 12 metros, com café servido à vontade. Antes de começar a atividade, há um momento de apresentação entre os participantes.

“Recebemos pessoas que, muitas vezes, vão sozinhas. Então, esse primeiro momento é uma forma das pessoas se conectarem por afinidades e conhecer quem vai passar aquela manhã ali ao lado”, comenta Juliana.
A própria Clara lembra da sensação que teve ao chegar sozinha pela primeira vez: “Mesmo estando sozinha, eu me senti muito bem recebida, muito bem acolhida. Tinham outras pessoas que também tinham ido sozinha, que também tinham ido pela primeira vez. Então eu acho que tudo isso realmente gerou um acolhimento pra mim.”

Segundo ela, havia outras pessoas que também estavam participando pela primeira vez e outras que haviam chegado sem companhia. O encontro, então, começava antes mesmo da atividade. “Cada uma realmente tinha uma história, todo mundo tinha suas vulnerabilidades, e estava todo mundo disposta a estar ali, a errar, a aprender, a viver aquele momento”, diz Clara.
A experiência de conhecer novas pessoas também já ultrapassou os limites dos encontros. Carol conta que duas participantes se conheceram no Clube da Calma e depois criaram um clube do livro.
“É muito difícil fazer amizade depois dos 30 anos. Também tem muita gente que mora em Bauru há pouco tempo e ainda não criou muitas relações. Em um desses encontros, duas participantes fizeram amizade e depois fundaram um clube do livro. É muito gratificante saber que criamos um espaço que inspira esse tipo de iniciativa”, aponta.
Só para mulheres?
Embora a maioria dos participantes seja formada por mulheres, o Clube da Calma não é exclusivo para elas. Homens, casais, grupos de amigos e mães e filhas também já passaram pelo jardim em busca de um tempo de qualidade juntos.

No fim, o Clube da Calma propõe algo que parece simples, mas nem sempre cabe na rotina: separar algumas horas para fazer algo porque se quer, e não porque é preciso.
Em vez de deixar o hobby para depois, as participantes marcam na agenda, saem de casa e se encontram para colocar as mãos na massa. E, quando a atividade termina, podem ter levado para casa mais do que o hobby que aprenderam: uma conversa, uma amizade ou simplesmente algumas horas que não foram passadas rolando o feed.
Como participar?
Os encontros são divulgados sempre pelo Instagram @calmaclube e as inscrições são realizadas pelo Sympla.
O Clube da Calma é aberto ao público, e não é necessário ter participado de encontros anteriores para se inscrever. A cada edição, um hobby diferente é escolhido, e cada participante se inscreve na atividade de interesse.
O endereço dos encontros são divulgados apenas para os participantes por serem realizados em uma residência particular.
Quer conhecer mais sobre o Clube da Calma? Acesse: @calmaclube.

