Dois nomes da música autoral bauruense estarão no palco do Festival Nacional da Canção (FENAC) em 2025. Cátia Machado e Nél Marques foram selecionados entre mais de 1.500 inscrições para integrar a programação do festival, que acontece em várias cidades mineiras e, no dia 2 de agosto, chega a São Thomé das Letras. Ambos estarão concorrendo ao cobiçado troféu Lamartine Babo e ao prêmio de R$250 mil que será entregue ao primeiro colocado. A apresentação da dupla será presencial e também com transmissão online.
O FENAC, realizado anualmente desde 1971, é reconhecido por abrir espaço à música autoral brasileira, especialmente para artistas que trabalham de forma independente. Em um cenário cultural cada vez mais dominado por algoritmos e tendências massificadas, essa presença no festival não é apenas uma vitrine. É, antes de tudo, um gesto de persistência criativa. “Estar entre os compositores selecionados dá validação para o trabalho que desenvolvemos. Porque não é fácil ser um artista independente em nossos tempos”, afirma Cátia.
A construção de ‘Somos Um’
A música que inscreveram para o festival é “Somos Um” — canção composta a quatro mãos, mas com uma longa trajetória até se materializar. A letra surgiu primeiro, escrita por Cátia após um show de Oswaldo Montenegro em Ribeirão Preto. “Eu estava completando 50 anos. Foi um momento de parada e reflexão”, conta. A inspiração veio forte, mas a melodia levou mais tempo. “A letra já existia há uns 3 anos, mas eu demorei todo este tempo para encontrar o caminho melódico em que eu pudesse dizer: ‘É isso que a música pede’.”
A parte melódica ganhou forma no piano de Henrique Rosa, compositor também de Bauru. Cátia não é instrumentista, mas diz ter confiado na intuição. Ao mostrar para Nél Marques, as sugestões dele foram incorporadas imediatamente. “Enriqueceu muito aquilo que eu estava buscando. Por isso é que é tão valioso conhecer o outro […] A canção é dos dois”.
A música ainda será gravada por outra artista, Luana Cortez, mas será apresentada ao vivo por Cátia e Nél em São Thomé, com uma banda completa no palco — entre eles, a filha da cantora, Maria Helena Ferla, no backing vocal.
Essa é a terceira vez consecutiva que Cátia participa do FENAC. “É a valorização de um trabalho. Isso nos dá estímulo para continuar. Porque, mais do que um resultado, é uma confirmação, em meio a tantas dificuldades, que faz com que a gente acredite que estamos no caminho certo.” A insistência, ela destaca, foi essencial: “Não entramos na primeira vez que nos inscrevemos. A maioria não entra. Mas a gente acreditou, persistiu, melhorou, até colher os frutos”. A apresentação no festival marca também a segunda participação de Nél Marques no evento.

A banda que os acompanha inclui nomes experientes: Rodrigo Carloni (guitarra), Pelé (bateria), Gustavo Rossi (baixo), Tato Alves (piano) e, nos vocais, Lara Grossi e Maria Helena. Os ensaios, segundo Cátia, têm sido intensos. “Faremos uma apresentação linda, ensaiada exaustivamente para alcançarmos o nosso melhor.”
A canção pode ser ouvida no YouTube, mas a versão ao vivo será exibida online no dia 2 de agosto, às 20h, pela plataforma oficial do FENAC. Ao final da noite, o festival será encerrado com show de Renato Teixeira.
Sobre a mensagem da música, Cátia resume: “É sobre as dualidades da vida, a busca de sentido e o que realmente vale a pena, no final das contas. Todos vamos deixar de existir, um dia. Como vamos ser lembrados?” A escolha do tema não foi casual. “Fazer músicas sobre o que a gente vive e acredita. Músicas que, falando sobre o que sentimos, também se conectem com as pessoas que ouvem.” Nenhuma aposta em fórmula e nenhuma pressa em viralizar.
Planos além do festival
Ao fim do festival, a dupla pretende dar continuidade a outros projetos. Um deles é um EP em homenagem ao músico e escritor Roberto Magalhães. Outro, em parceria com o jornalista e compositor Luís Paulo Domingues, conta histórias de Bauru por meio da música, como já se viu na composição “Prazer, Eny”, publicada em abril, aqui, no Social Bauru.
A criação, parece, não tem pausa. “Depois que a gente cria coragem para se jogar no mundo através da Arte, fica quase impossível parar. Isso é o que dá sentido para os artistas.”
