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Social Bauru > Blog > Destaques > Cultura / Comportamento > Mulheres bauruenses falam do empoderamento dos cabelos cacheados
Cultura / Comportamento

Mulheres bauruenses falam do empoderamento dos cabelos cacheados

Giovana Romania
By Giovana Romania
Publicado 01/11/2016
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crespa-topo

A sociedade impõe diversos padrões, principalmente nas mulheres: alta, magra; não tão alta, não tão magra. Seios pequenos não pode, muito grandes também não. É um jogo constante com o psicológico de incontáveis mulheres por todo o mundo. Mais um desses padrões impostos é o ódio ao cabelo cacheado, crespo, enrolado, afro, black ou qualquer uma dessas variações. O cabelo liso é imposto e isso já faz tempo.

O movimento de mulheres negras afirma que essa construção social está enraizada com o preconceito racial. “Sempre sofri preconceito por causa do cabelo, especialmente quando mais nova. Os apelidos na escola eram ‘neguinha do cabelo duro’”, afirma a dona do salão Ponto da Beleza, Carol Souza. “Cabelo longo está associado à feminilidade, assim como cabelo “ruim” está associado à negritude. São construções sociais tão repetidas que a gente passa a ver essas associações como naturais”, escreveu Aline Silva para as Blogueiras Negras.

Para que os apelidos racistas parassem, a maioria das pessoas – desde muito novas, até mesmo crianças – buscavam alternativas. Antigamente, os recursos para alisar o cabelo não eram comuns ou de fácil acesso. Por esse motivo, andar com o cabelo sempre preso era a “solução dos problemas”. Apesar dos cabelos crespos, afro e enrolados já terem tido seu tempo áureo, sempre foram instrumento de resistência. Continuam sendo até hoje.

Atualmente, cresce o feminismo e com ele o empoderamento. O feminismo negro e interseccional lutam para que as mulheres tenham, não só um poder de escolha, mas uma onda de pensamento positivo que empodera e eleva a autoestima. “Hoje, aos 31 anos, eu tenho amor pelo meu cabelo. Me sinto linda, e com um diferencial”, afirma a bauruense Aline Planellas. “Infelizmente, muitos precisam quebrar a cara, assim como eu, que danifiquei meu cabelo, para que vejam que tudo isso é besteira”, completa.

A mídia reforça esse padrão constantemente, basta procurar em listas dos cortes de cabelo mais desejados do ano. No entanto, cada vez mais, os movimentos crescem, as mulheres se empoderam e se sobressaem a esses obstáculos. “Os jovens devem reconhecer e valorizar a textura do seu cabelo. Tudo isso é uma herança genético. Cada um é um ser único com suas qualidades, querer modificar isso é alterar essa característica única de si”, afirma Greice Luiz, militante e jornalista. “Atualmente estou de tranças, uma outra alternativa para valorizar a ancestralidade”, finaliza.

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