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Educação

Pesquisadora de Bauru desenvolve tecnologia para diagnóstico mais preciso do câncer de mama

Pesquisa combina computação quântica e inteligência artificial

Letícia Heloisa
By Letícia Heloisa
Publicado 24/10/2025
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Foto: Arquivo pessoal
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Em uma aula de física no ensino médio, Yasmin se encantou pelas Leis de Newton. Foi amor à primeira vista. O professor que ministrava a aula precisou indicar livros de astronomia para que a aluna saciasse a curiosidade.

Índice
  • O diagnóstico dentro da família
  • A pesquisa
  • Computação quântica para diagnóstico
  • Próximos passos

Depois de ler sobre os astros e a física clássica, ouviu falar em uma tal de física quântica. Adentrou a matéria escura, mergulhou na teoria de tudo e chegou na teoria das cordas. Você não leu errado, uma menina de 14 anos lendo Teoria das Cordas!

Foto: Arquivo pessoal

Desde antes do ensino médio, Yasmin era daquelas crianças que sonhavam em ser cientista: “A gente não é alimentado com a ideia de que podemos realmente virar cientistas, que podemos entrar na universidade e fazer isso”. Ávida por conhecimento, todas as matérias da escola eram suas favoritas.

É por isso que, hoje, seu trabalho de pesquisar o diagnóstico precoce do câncer de mama gira em torno da física, computação e medicina.

E o amor não era apenas pela ciência, Yasmin queria o “a mais” de fazer a diferença no mundo. No seu projeto de vida, ela não se via apenas trabalhando, mas fazendo isso por quem precisava.

O diagnóstico dentro da família

Quando tomou a decisão de fazer Sistemas de Informação e começou a prestar os vestibulares, em outubro de 2022, sua mãe, Márcia, foi diagnosticada com câncer de mama. “Mas ela sempre passou muita força para mim, para o meu pai. Ela nunca deixou eu me abalar pelo diagnóstico dela. E eu continuei estudando, estudando, estudando para entrar na faculdade”.

Foto: Arquivo pessoal

A avó paterna de Yasmin faleceu em decorrência da mesma doença quando seu pai tinha apenas 4 anos. Mesmo com o histórico da família, ela não se assolou e a aprovação para a Unesp de Bauru veio em janeiro.

Logo no primeiro ano, Yasmin Rodrigues Sobrinho soube da possibilidade de unir todas as suas paixões na ciência e pesquisar sobre o diagnóstico antecipado para o câncer de mama: “É em homenagem à minha mãe, é em homenagem à minha avó, que eu não conheci, e em homenagem a todas as pessoas que sofrem por conta dessa doença”.

Hoje, a estudante concretizou tudo o que sonhou. A mãe está curada e pôde ver a filha desenvolver o estudo que ganhou o 1° lugar de Sistemas de Informação do XXXVII CIC Unesp, o Congresso de Iniciação Científica e Tecnológica da Unesp, no curso de Sistemas de Informação.

Foto: Arquivo pessoal

A pesquisa

O tema da iniciação científica da pesquisadora, vencedor do congresso, é “Redes Neurais Convolucionais Quânticas para a Detecção de Câncer de Mama Utilizando Mamografias”. O professor orientador do projeto é o Prof. Dr. João Paulo Papa, especialista em inteligência artificial, com pesquisa focada em processamento de imagens e reconhecimento de padrões.

O câncer de mama foi escolhido como objeto de estudo pelo professor por ser, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o tipo mais comum entre mulheres no mundo, com 2,3 milhões de casos e 670 mil mortes registradas em 2022.

Em entrevista à Agência Fapesp, Papa contou como a detecção precoce é crucial para aumentar as chances de sobrevida. Entretanto, métodos tradicionais, como a mamografia, dependem de interpretação humana e podem gerar variações.

Imagem de mamografia utilizada na pesquisa

A computação quântica entra na história justamente para potencializar as possibilidades no diagnóstico.

Vou tentar explicar como ela funciona de um jeito mais simples: na física clássica, a equipe do Social Bauru sabe que, neste momento, está no escritório. Já na física quântica, temos 99% de chance de estarmos no escritório, mas 1% de estarmos em qualquer outro lugar do mundo. Esse 1% pode ser dividido em vários 0,1% de outras opções e assim por diante.

Essas infinitas possibilidades tornam o quântico um universo ainda a ser explorado, mas com muito potencial. 

No mundo, existem pouquíssimos computadores quânticos e potentes, visto que seu uso e funcionamento são extremamente caros. Os que existem, estão em fase experimental e possuem poucos qubits – que são os bits da computação clássica. 

Computação quântica para diagnóstico

Por isso, Yasmin e Papa usaram um simulador de como esses circuitos se comportariam em um mundo quântico ideal. Mas isso em si já limita o estudo, segundo a pesquisadora.

Na simulação quântica, com apenas 4 qubits, eles conseguiram uma taxa de 87% de acerto, enquanto na máquina convencional, que tem trilhões de bits normais, a taxa de acerto foi de 92%.

Modelo usado na pesquisa.

Esses dados representam que, com o avanço da tecnologia quântica, é possível evoluir significativamente nos diagnósticos não só de câncer de mama, mas também para análise de lesões cerebrais e outras doenças.

Próximos passos

 Para o futuro, a expectativa da estudante é trazer cada vez mais dados e melhorar o modelo. Ela fala da sua vontade de seguir com a pesquisa no mestrado e coloca a esperança em outras gerações: “[Queremos] cativar o público, as crianças, os jovens, para que eles venham para a área e que no futuro a gente possa salvar vidas com isso”.

O investimento e valorização da universidade pública proporciona que pessoas como a Yasmin possam desenvolver e continuar desenvolvendo esses projetos, além de orgulhar a família, sentimento vivo dentro da dona Márcia: “Ela falou que tava muito orgulhosa de mim e que era para continuar com tudo isso. E é o meu sonho continuar com tudo isso”.

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TAGS:câncer de mamadiagnósticopesquisadora baurutecnologia
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ByLetícia Heloisa
Piracicabana que gosta de contar boas histórias, Letícia é graduanda em Jornalismo na Unesp. Interessada por sociedade, política, moda e comportamento, sua paixão fica onde pode fazer o outro ser ouvido e entendido. Sua experiência vem desde o ensino médio, quando criou um jornal da escola, "O De Assis", e descobriu que queria ser jornalista. É jornalista pelo Social Bauru e foi coordenadora geral da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (ACI FAAC).
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