Emagrecer com saúde não significa apenas ver o peso diminuir.
Embora esse seja o principal objetivo de muitas pessoas que fazem dieta, especialistas alertam que a qualidade do emagrecimento é muito mais importante do que o peso em si. Isso porque, durante esse processo, o organismo pode eliminar não apenas gordura, mas também massa muscular, comprometendo força, saúde metabólica e até a autonomia ao longo da vida. Para pessoas com mais de 40 anos, essa perda é ainda mais comum e prejudicial. Alimentação adequada, exercícios de força e ingestão de proteínas são a combinação recomendada para quem deseja manter os músculos e perder gordura.
Segundo o Dr. Thiago Viana, nutrólogo e médico do esporte, é comum associar o emagrecimento exclusivamente à redução do peso corporal, quando o ideal é reduzir o percentual de gordura preservando ao máximo a musculatura. Por isso, observar a balança não é suficiente para avaliar a saúde corporal, pois ela mostra quanto o corpo pesa, mas não do que esse peso é formado.
“Eu sempre gosto de dar um exemplo prático sobre esse assunto. Duas pessoas com a mesma altura podem pesar exatamente 80 quilos e apresentar condições completamente diferentes. Uma pode ter mais musculatura e menor percentual de gordura. A outra pode apresentar pouca musculatura e excesso de gordura visceral. Por essa razão, além do peso, precisamos observar medidas como circunferência abdominal, percentual de gordura, massa muscular, força, desempenho físico, exames metabólicos e evolução clínica”, diz o médico.
Pesquisas recentes reforçam o risco dessa perda muscular para o corpo. Um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University College London, constatou que a combinação entre obesidade abdominal e perda de massa muscular aumenta em 83% o risco de morte após os 50 anos. Preservar a musculatura ao longo da vida é essencial porque os músculos exercem funções que vão muito além da estética.
Dietas extremamente restritivas, baixa ingestão de proteínas e ausência de exercícios de força estão entre os principais fatores que favorecem a perda muscular. De acordo com o Dr. Viana, reduzir drasticamente as calorias pode provocar uma queda rápida do peso, mas parte desse resultado costuma representar perda de água e tecido muscular. “Emagrecer de forma saudável exige um déficit calórico moderado, ingestão adequada de proteínas, prática regular de musculação ou exercícios de resistência, sono de qualidade e acompanhamento da composição corporal. O objetivo não deve ser apenas perder quilos, mas perder gordura preservando músculos”, aponta o médico.
Após os 40 anos
O envelhecimento favorece a perda gradual de massa muscular após os 40 anos, um processo conhecido como sarcopenia. Mas o especialista ressalta que esse declínio pode ser retardado por meio de hábitos saudáveis. “A musculação, uma alimentação rica em proteínas, sono adequado e tratamento das condições clínicas ajudam a preservar força e autonomia. Envelhecer é inevitável. Perder qualidade de vida por falta de cuidado com a musculatura não precisa ser”, afirma o Dr. Thiago.
Como virar esse jogo? Proteínas e os exercícios são aliados
Um dos pontos fundamentais é a alimentação adequada. As proteínas fornecem os aminoácidos necessários para a manutenção e a recuperação dos músculos, especialmente quando o consumo está associado ao treinamento de força. “Costumo dizer que a proteína fornece os tijolos, mas é o exercício que dá a ordem para construir. Consumir proteína sem estimular a musculatura não produz o mesmo efeito”, explica Thiago Viana.
Entre as principais fontes proteicas estão carnes, peixes, ovos, leite e derivados, além de alimentos vegetais como feijão, lentilha, grão-de-bico, soja e tofu. A suplementação deve ser indicada apenas quando a alimentação não consegue suprir as necessidades individuais.
Canetas emagrecedoras exigem atenção
O crescente uso das medicações para emagrecimento também reforça a importância de manter a massa muscular. Com a perda expressiva de gordura, parte da redução de peso também pode ocorrer às custas da massa magra. “As canetas emagrecedoras não causam perda muscular diretamente. O problema acontece quando a pessoa passa a comer muito pouco, não ingere proteína suficiente e deixa de praticar exercícios de resistência. A medicação é uma ferramenta, mas não substitui alimentação adequada nem atividade física”, explica.
De forma geral, o consenso entre especialistas é bem claro: mais importante do que emagrecer de forma rápida é emagrecer com saúde e qualidade de vida.
Sobre o Dr. Thiago Viana (CRM nº 144.585. Médico do Esporte e Nutrólogo: RQE 121770-118488).
Dr. Thiago Viana, médico do esporte e nutrólogo, com foco no emagrecimento. Formado pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM), em 2010. Atualmente, ele atende em sua clínica na cidade de Bauru e com trabalho especializado na medicina esportiva, qualidade de vida, com foco em emagrecimento e melhora de performance. O Dr. Thiago é pós-graduado em medicina esportiva pela faculdade BWS, nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Ele ainda é membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC), membro da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO), membro da European Board of Obesity Medicine e membro associado da Sociedade Brasileira de Andropausa e Menopausa (SBAM).
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