Hoje eu decidi fazer algo diferente e trazer uma reflexão sobre o que está rolando
nos cinemas e no streaming. O futuro das salas de cinema e do streaming vai ser
moldado por várias tendências, econômicas e culturais.
Eu amo cinema e séries! Desde pequeno, sempre fui fascinado por boas histórias,
personagens marcantes e aquele sentimento de imersão que só uma boa produção
audiovisual pode proporcionar. Não é atoa que o meu primeiro CLT foi em uma rede de
videolocadoras aqui em Bauru (saudades Vídeo Imagem). No entanto, não posso
deixar de me preocupar com o cenário atual. O acesso ao entretenimento tem se
tornado cada vez mais fragmentado e caro, o que impacta diretamente quem, assim
como eu, deseja acompanhar tudo sem comprometer o orçamento. E começa pelas
salas de cinema.
Para atrair o público (que hoje está bem complicado), os cinemas estão investindo
em tecnologias como telas gigantes, som de última geração (exemplo de Dolby
Atmos), cadeiras interativas (4DX) e realidade aumentada. Pena que isso não sai da
bolha São Paulo. Além disso, eles precisam começar a oferecer eventos e conteúdos
diferenciados – tipo, não é só um filme mais, os cinemas podem virar centros de
entretenimento com transmissões ao vivo de shows, esportes, e-sports, e até estreias
de séries. A gente está acompanhando isso, mas ainda é bem tímido.
Outro ponto são os formatos premium e personalização, com salas VIP, assentos
confortáveis e serviços mais personalizados, e até opções interativas para a galera
escolher certos aspectos do filme. Por outro lado, os preços estão cada vez mais
inviáveis. E, ao invés de competir, os cinemas e as plataformas de streaming podem
começar a fazer parcerias, exibindo filmes de forma exclusiva antes de serem lançados
no digital.

Por outro lado, nos últimos tempos, a gente tem visto um aumento de brigas e
tumultos nos cinemas e teatros. O que deveria ser um rolê de lazer e cultura está
virando um ambiente cheio de conflito e insegurança, o que coloca o futuro em risco.
Antes, cenas de violência eram raras, mas hoje em dia já viraram comuns em
várias cidades. Disputas por lugares, o uso de celular sem noção, discussões sobre
barulho e até agressões físicas têm rolado cada vez mais, afetando a integridade e a
paz nesses espaços. E o impacto não é só pro público não, funcionários, artistas e profissionais também estão sendo afetados por essa onda de desordem.
Isso tudo pode estar relacionado com o estresse social e psicológico que a
pandemia causou. Até hoje a gente ainda colhe esse fruto. O que era pra ser uma volta
cheia de entusiasmo pró entretenimento presencial está se transformando em um
público mais impaciente, desrespeitoso e menos ligado nas normas de convivência.
E o resultado? Comportamentos agressivos e tumultos que estão transformando a
diversão em um pesadelo. E o reflexo disso é que muitos cinemas e teatros estão
vendo uma queda no número de público, com medo de situações desconfortáveis ou
até perigosas. A violência, infelizmente, está se tornando parte do cotidiano desses
locais, fazendo com que os espaços culturais, que deveriam ser seguros e acolhedores,
estejam se tornando lugares de incerteza e medo.
Além disso, a falta de protocolos eficazes para lidar com esses comportamentos
agressivos e a falta de recursos para garantir a segurança de todo mundo tem
mostrado que o setor não sabe como resolver esse problema crescente.
Mesmo com segurança nos locais, as soluções que têm sido implementadas não estão dando conta
de acabar com a violência nos cinemas e teatros. Fora os preços abusivos, mesmo a
gente aqui do interior, está ficando cada vez mais complicado. Hoje, eu e minha
esposa fomos a um cinema no sábado, morro com uns 100/120 reais.
Com isso, o futuro do entretenimento está ficando incerto. As salas de cinema, que
já foram símbolo de união e diversão, correm o risco de perder a confiança do público.
E o impacto disso vai além da experiência das pessoas que buscam cultura e diversão.
Também afeta financeiramente cinemas e teatros, que estão tentando equilibrar
segurança e preservação da arte. Então, será que o futuro é o streaming?
Streaming: O começo, o auge e o futuro.
A fragmentação dos serviços de streaming está cada vez maior, e a concorrência
entre plataformas como Netflix, Disney+, Prime Video e outras só tende a crescer, com
mais produtoras lançando suas próprias plataformas. Isso levantou um excesso de
assinaturas e até o retorno dos pacotes de streaming. O modelo híbrido de negócios
está cada vez mais comum, com algumas plataformas oferecendo planos com anúncios
e assinaturas mais acessíveis, seguindo o exemplo de YouTube e Netflix.
Mas, e você, prefere assistir filmes no cinema ou em casa?
O streaming no Brasil começou a crescer junto com a internet, nos anos 2000. A
galera ainda consumia vídeos principalmente por downloads ilegais em sites como
Kazaa e eMule (saudade.. ou não).

O marco do streaming por aqui foi a chegada da Netflix em 2011, que logo virou
um sucesso. Depois disso, várias outras plataformas chegaram, como Globo Play,
Amazon Prime Video, HBO Go, entre outras. Durante a pandemia, com os cinemas
fechados, o consumo de streaming deu um boom, com novas plataformas como
Disney+ e HBO Max chegando no Brasil.
Hoje em dia, o mercado de streaming no Brasil enfrenta desafios como
concorrência pesada, modelos híbridos e a crescente produção de conteúdo nacional.
As plataformas também têm oferecido pacotes de assinatura, como a TV a cabo, e
alguns planos com anúncios.
Aqui no Brasil, as opções de streaming variam bastante, e os preços também. Vou
listar alguns dos principais serviços e valores:
● Netflix: Padrão com anúncios – R$ 18,90/mês;
● Amazon Prime Video: Mensal – R$ 19,90/mês; Anual – R$ 166,80 (equivalente a
R$ 13,90/mês) *fora que dentro dele tem outros catálogos para adquirir;
● Disney+: Padrão – R$ 43,90/mês ou R$ 368,90/ano; Premium – R$ 62,90/mês ou
R$ 527,90/ano;
● Max (antigo HBO Max): Básico com anúncios – R$ 29,90/mês ou R$ 226,80/ano;
Standard sem anúncios – R$ 39,90/mês ou R$ 358,80/ano;
● Globoplay: Mensal – R$ 27,90/mês; Anual – R$ 214,80 (equivalente a R$
17,90/mês);
● Apple TV+: Mensal – R$ 21,90/mês;
● Paramount+: Básico mensal – R$ 14,90/mês; Padrão mensal – R$ 19,90/mês;
● Telecine: Mensal – R$ 37,90/mês;
● Looke: Mensal – R$ 16,90/mês.
Esses valores são para os planos básicos de cada plataforma, mas eles podem
mudar com promoções ou pacotes combinados. Vale a pena dar uma olhada nos sites
de cada um para conferir os detalhes. Enfim, sobre o nosso ticket médio, fica difícil
conseguir acompanhar tanta opção.
O futuro do streaming no Brasil deve seguir as tendências globais, com mais
personalização e inteligência artificial para sugestões de conteúdo, além de novas
formas de monetização.

Minha visão um tanto pessimista
O futuro das salas de cinema nunca pareceu tão incerto. A briga contra o streaming
já era difícil, mas com o aumento dos preços dessas plataformas, está se tornando um
pesadelo. Me dói admitir isso, mas se eu puder escrever aqui, e se for de Bauru. Tenho
que reconhecer que temos três ótimas opções de salas de cinema, apesar de que ainda
sinto falta de opções diferenciadas e horários melhores, mas no geral aqui, é muito
bom.
O espectador médio, que antes podia escolher entre algumas opções de streaming
e até ir ao cinema, agora está preso em um mar de assinaturas caras, com um
catálogo fragmentado e conteúdos sendo removidos sem aviso. Resumindo, aumento
de preços, fim do compartilhamento de senhas e um catálogo recheado de velharia, e
digo mais, antes fosse velharia. Hoje a porcentagem de filmes até a década de 80 nos
principais streamings não chega nem a 10%. Ou seja, se você gosta de clássicos, no
streaming convencional, praticamente não existe. Fora que praticamente não se tem
nenhum conteúdo sobre alguns movimentos importantes do cinema: blaxploitation,
Cinema Novo e conteúdos europeus, etc.
O modelo que deveria democratizar o entretenimento está se tornando um
pesadelo de mensalidades caras e assinaturas insatisfatórias. Pra piorar, algumas
plataformas já estão colocando anúncios em planos pagos.
Diante disso, a pirataria, que parecia ter perdido força com o streaming, está
voltando com tudo. Sites de torrents e IPTV ilegal se tornaram a alternativa preferida
de quem não quer ou não pode pagar os preços absurdos.
Enquanto isso, os cinemas tentam sobreviver, mas com ingressos cada vez mais
caros e custos adicionais com comida e estacionamento, ir ao cinema virou luxo.
Se as empresas de entretenimento não repensarem seus modelos de negócios, o
futuro parece bem sombrio: cinemas vazios, streaming inviável e pirataria em alta.
Esse cenário que parecia do passado, hoje é mais real do que nunca.
