sinuhe-kane-home

Quando dirigiu, produziu, protagonizou e foi co-roteirista de Cidadão Kane, Orson Welles tinha 25 anos. A história conta como o repórter Thompson (Joseph Cotten) reconstitui a trajetória do empresário da imprensa Charles Foster Kane (Orson Welles) buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: “rosebud”. A morte de Kane comovera a nação e descobrir o porquê daquela palavra se torna obsessão para o jornalista, que acredita poder encontrar nela a chave do significado daquela vida atribulada.

Pode-se fazer uma refilmagem da obra-prima de Orson Welles em nossa cidade? É questionável, há mesmo uma cidade, apesar de todos nenhuns esforços do atual prefeito? Somos de fato e de direito cidadãos? Não há como negar a falta de recursos, a crise, o Temerismo, o sonho contra o ostracismo, o marasmo e a sucessão de erros. O prefeito vociferou cem dias e estamos sem dias, sem noites e sem cidade. Não é fácil ser Bauru, que o diga o significado, será mesmo um cesto de frutas, estão ainda verdes? Estão podres? São cristalizadas? Somos eternos filhos da fruta? Há uma cidade, é feliz cidade? Continua o nome ou altera para Enilândia? É séria uma cidade que invoca com a estátua da liberdade da Havan, que convoca mais trabalhadores e divisas para esta Terra Branca, quiçá Buracolândia, há tantos buracos que Alice e o Coelho foram vistos na Bela Vista e em todos os bairros!

Agora, é cidadão um menino que joga limões para cima nos cruzamentos da Getúlio Vargas? É cidadão um senhor manquejando da perna e da vida recolhendo latas de alumínio pelas esquinas do mundo Sem Limites? É cidadão um cliente que não consegue estacionar nas obscuras e ardilosas esquinas mal iluminadas do Bauru Shopping? É cidadão uma pessoa doente, deveras doente, esperar numa maca de Pronto-Socorro por não conhecer nenhum vereador ou existir o homem de branco chamado médico?

É cidadão um funcionário público que anseia pela marmita nossa, sua, minha? E não é no melhor restaurante, é um self não serve!

É cidadão um jovem que espera treinar, jogar, vencer, honrar sua cidade num ginásio municipal e ver seu sonho ser cozido e frito, mais uma vez, numa “Panela de Pressão”? É cidadão um torcedor que espera a quadra do único e pseudoginásio ser enxuta devido a goteiras, apesar de todo esforço de Vitinho Jacob e sua cúpula para que haja basquete campeão na cidade? É cidadão um jovem que espera sua quadra no seu bairro? É cidadão um contribuinte que morre de dengue? É cidadão um cara que tem que comprar caiaque para atravessar a Avenida Nações Unidas?

Cadê o ginásio de esportes que nunca esteve aqui? Está em Garça, Botucatu, Marília, Pederneiras, vergonha, cidadão com vergonha!

É cidadão um motorista que compra seu carro, mas não tem onde estacionar? É cidadão aquele que não degustará a Virada Cultural? É cidadão um pagador de impostos que não possui um teatro decente para assistir a peças em geral? Paulo Neves e sua trupe, atuai por nós!

É cidadão um motorista que não para na faixa de ou para segurança em frente a escolas, mas para em frente a um supermercado?

É cidadão a criatura que frequenta os estádios distritais em mau estado, sem internet no Gasparini, sem quadras no Redentor? Não é cidadão, é herói, é o devoto que, apesar do voto, encontra-se na urna da boca, pois o ano que vem, promete-se de novo!

É cidadão um consumidor que vive entre usinas e paga o álcool, etanol, como queiram, mais caro do Estado? É cidadão um indivíduo que paga uma tarifa de ônibus caríssima, semelhante à de grandes capitais? É cidadão um povo que clama, implora e chora por uma Faculdade de Medicina? Uspianos, pronunciai-vos por nós! E o incrível é que por onde você, pseudocidadão bauruense, passe, respeitam a nossa cidade, imensificando-a de “cidadão”, como é possível? Cidadão quem? Medicina Já! Tobias ou Tobias, eis Tio Gastão! Se o personagem de Cidadão Kane vivesse em Bauru, sua última palavra não seria “rosebud”!

P.S. Assista ao filme e saiba o que é! A última palavra do cidadão bauruense seria: Cidade????