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Social Bauru > Blog > Destaques > Colunistas > Coluna Cinema: Pinóquio, com história que se distancia da versão Disney
Colunistas

Coluna Cinema: Pinóquio, com história que se distancia da versão Disney

Gabriel Candido
By Gabriel Candido
Publicado 16/12/2022
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No ano de 2022 tivemos duas adaptações da história clássica italiana: Uma nova versão da Disney que foi lançada diretamente para o Disney Plus, dirigida pelo genial Robert Zemeckis com ninguém menos que Tom Hanks como Gepeto. E o filme foi uma grande decepção, adaptação pouco inspirada e parece que foi realizada quase toda no modo automático. Não foi para as salas de cinema e por consequência, passou batido para o grande público.

Índice
  • Outras adaptações
  • Versão original de Carlo Collodi
  • Considerações

Três meses depois, em uma outra plataforma de streaming, na gigantesca Netflix, ratificando uma parceria que torço para que dê muito certo e que continue com Guillermo del Toro. Esse ano, essa parceria rendeu uma mini-série “O Gabinete de Curiosidades” que vale muito a pena, a coleção de terror conta com oito histórias inspiradas em contos clássicos de autores do gênero como H. P. Lovecraft e Edgar Allan Poe.

E para nossa surpresa, eles anunciam uma nova adaptação de Pinóquio utilizando uma técnica de animação em stop-motion e traz um novo cenário para o boneco mentiroso mais amado de todos.

A sinopse oficial indica que é uma releitura sombria e distorcida do famoso conto de fadas de Carlo Collodi sobre o boneco de madeira que sonha em se tornar um menino de verdade. Situado em 1950 na Itália comandada pelo fascismo, Pinóquio ganha a vida quando seu criador talha a forma de um menino em madeira. Mas essa não é qualquer história que todos estão acostumados a ver sobre o menino travesso de madeira.

Ao ganhar vida, Pinóquio acaba não sendo um menino tão legal, criando travessuras e pregando peças. Mas ele acaba aprendendo algumas lições ao longo de sua jornada. Entre suas aventuras, o menino de madeira terá de encontrar muitas criaturas e personagens, como o trapaceiro Conde Volpe, um sprite de madeira mágica e até a própria Morte, além de embarcar em um episódio para salvar Geppetto da barriga de um monstro marinho. Mas não espere que esta história tenha um final feliz.

Um stop motion como nunca visto antes, tem um tom autoral do Del Toro, ao mesmo tempo, é mais adulto, um enredo alterado e focado mais nas relações envolvidas de emoção, perdas e escolhas.

Altamente recomendado, a melhor versão que já vi. O fato de misturar esse lado fantástico, ao mesmo tempo, com um toque infantil do personagem, no caso, pela ingenuidade. Mas ao juntar esses itens, dentro de um contexto da Itália da década de 30, anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial.

Fascismo e a junção religiosa (não a religião em si, mas sim o discurso político) são destaques para uma metáfora da discriminação de uma “criança” diferente dos demais.

Tudo detalhadamente feito a mão, a montagem e o talento da equipe toda e com uma direção que surpreende a todo momento. Com um elenco original incrível com nomes como: Ewan McGregor, Ron Perlman (amigaço do diretor), David Bradley (que você lembrará de Game of Thrones), Tilda Swinton, Gregory Mann e Cate Blanchett.

A parceria do Del Toro com Mark Gustafson e com uma trilha sonora composta pelo Alexandre Desplat, que tem em seu currículo filmes como Harry Potter, A Forma da Água e inúmeros filmes do Wes Anderson. Sua trilha minimalista se encaixa com esse universo infantil e ao mesmo tempo fantástico com tom de terror.

Acompanhe a trilha sonora oficial de Pinóquio.

Outras adaptações

A história do Pinóquio é tão aclamada que já ganhou várias versões, dentre elas, algumas que valem a pena a gente comentar, relembrar. Das positivas até as mais esquisitas.

● Pinóquio (1940)

Um dos maiores sucessos de Walt Disney que venceu os Oscar de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção, também ficou conhecido por não ser muito fiel ao texto de Carlo Collodi, suprimindo personagens essenciais para a trama e dando uma visão mais colorida. O filme está no catálogo da Disney +.

● Pinóquio (2002)

Roberto Benigni, que vive Gepeto na nova versão, também já dirigiu e atuou em um projeto baseado na história clássica. O filme, um fracasso de crítica e de público, peca pelos exageros. O maior erro, sem dúvidas, foi escalar Benigni para interpretar o próprio boneco, em um puro exemplo de vaidade. A produção quase chegou a arruinar a carreira do italiano. Uma aposta cara e desnecessária do estúdio Miramax.

● As Aventuras de Pinocchio (1996)

Versão meio sinistra do clássico, feita com bonecos de marionetes e atores, o filme foi exibido nos cinemas brasileiros no Natal de 1996, mas não causou muito alarde. A direção é de Steve Barron, que fez sucesso na década de 1990 por lançar o primeiro filme de As Tartarugas Ninja. Nem o carismático Martin Landau, como Gepeto, fez com que o filme ganhasse alguma notoriedade.

Versão original de Carlo Collodi

O livro As Aventuras de Pinóquio, de 1883, é um compilado de tirinhas de Carlo Collodi que eram publicadas em forma de seriado em um jornal italiano. Na trama original, Gepeto ganha um presente inusitado: um pedaço de madeira falante. Então, decide dar vida a essa peça inanimada e esculpe Pinóquio.

O sonho de Gepeto era ter um filho para amar e cuidar, mas acaba se decepcionando rapidamente. Antes mesmo de ficar pronto, o boneco já se comportava muito mal. Pinóquio chuta o nariz de Gepeto logo após ganhar um corpo, não ouve seus conselhos e o manipula para fugir de casa.

No clássico da Disney, a moral da história é que a mentira gera consequências ruins e que devemos respeitar os pais. A mensagem do conto original de Collodi é um pouco mais profunda. Pinnochio significa pinhão, no italiano falado na Toscana, que nada mais é do que um pedaço de madeira não totalmente esculpido.

Em sua fábula, Collodi mostra que Pinóquio, embora não seja um menino de verdade, tem muitas características humanas negativas. Ele não respeita seu pai, não ouve conselhos, se mete em confusões, mente e foge de suas responsabilidades, Porém, no final da história, percebe seus erros, se arrepende e termina como uma pessoa melhor.

Considerações

Apesar do sucesso e do alcance da plataforma da Netflix, é uma grande pena que esse filme não esteja nos grandes circuitos das salas de cinema. É um filme que vale o tempo para acompanhar, curtir e se emocionar.

“Guillermo del Toro reinventa o conto clássico da marionete de madeira que é mágicamente trazida à vida para consertar o coração de um entalhador de madeira chamado Gepeto. Este extravagante filme em stop-motion dirigido por Guillermo Del Toro e Mark Gustafson segue as aventuras travessas e desobedientes de Pinóquio em sua busca por um lugar no mundo”, diz a sinopse.

Pinóquio de Guillermo del Toro é uma obra excelente, autoral e que provavelmente estará nas grandes premiações no ano que vem. É maduro sem perder a ingenuidade da visão de uma criança em um mundo tão caótico como este que vivemos.

Pinóquio, 2022.
Veredito: 5/5
Onde assistir: Netflix
Duração: 1h 54m
Direção: Guillermo del Toro
Agregador no Rotten Tomatoes: 97%
Trailer Youtube

Confira mais textos do colunista: www.socialbauru.com.br/author/gabrielcandido/ 

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TAGS:bonecoscolunacoluna gabriel candidofilmepinóquioterror
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ByGabriel Candido
Publicitário, pós-graduado em Comunicação e Marketing Digital. No mercado publicitário desde 2012, atuando em agências de propaganda. Além da experiência na equipe de Marketing em emissoras de televisão. Gabriel se inspirou em seu primeiro emprego, em uma locadora de vídeos, para escrever e compartilhar uma coluna sobre filmes e séries. Afinal, ele tinha que fazer alguma coisa com o seu antigo sonho de se tornar um Tarantino aos 30 anos. Linktree: linktr.ee/gabrielhcandido
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