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O Premiado Cinema Brasileiro

Gabriel Candido
By Gabriel Candido
Publicado 31/01/2025
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Seguindo o hype de “Ainda Estou Aqui” (link), sucesso de público de crítica, forte
candidato ao Oscar 2025, que desde Cidade de Deus no Oscar de 2003, o cinema
brasileiro passou a ser protagonista em premiações.

E apesar do histórico não ser tão positivo, o cinema brasileiro já produziu muitos
filmes premiados e foi referência mundial, falamos aqui na coluna (Dia do Cinema
Nacional).

O cinema brasileiro tem várias obras que se tornaram referência no mundo, seja
pela inovação, relevância social ou sucesso internacional. Aqui estão alguns dos mais
reconhecidos:

  • O Pagador de Promessas (1962) – Único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. é um clássico do cinema brasileiro, dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça homônima de Dias Gomes.
  • O Quatrilho (1995) – Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A história se passa no Rio Grande do Sul, no início do século XX, e acompanha dois casais de imigrantes italianos que vivem juntos por questões financeiras: Ângela (Patrícia Pillar) e Basílio (Glória Pires), Teresa (Glória Pires) e Mássimo (Alexandre Paternost).
    ○ Com o tempo, Ângela e Mássimo se apaixonam e decidem fugir, rompendo as rígidas tradições da comunidade e deixando seus parceiros para trás. O título do filme se refere ao “quatrilho”, um jogo de cartas no qual é necessário abandonar um parceiro para vencer, simbolizando a troca de casais. Foi um dos primeiros filmes nacionais a alcançar grande repercussão internacional na retomada do cinema brasileiro nos anos 90.
  • O Que É Isso, Companheiro? (1997) – Também indicado ao Oscar na mesma categoria. Dirigido por Bruno Barreto, baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira. O filme retrata a ditadura militar no Brasil, focando no sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick, realizado por militantes de grupos de esquerda em 1969.
  • Central do Brasil (1998) – Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e Fernanda Montenegro foi indicada como Melhor Atriz. Ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira. O filme conta a história de Dora, uma ex-professora que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Após um trágico acidente, ela se vê responsável por Josué, um menino que busca encontrar o pai no sertão nordestino.
  • Cidade de Deus (2002) – Indicado a quatro Oscars (Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição). Ganhou vários prêmios internacionais, um dos filmes brasileiros mais aclamados internacionalmente. Dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, o longa é baseado no livro homônimo de Paulo Lins, que narra a história da favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, desde os anos 1960 até os 1980, mostrando a ascensão da violência e do tráfico de drogas.
  • São Bernardo (1972) – Prêmio da Crítica no Festival de Cannes. dirigido por Leon Hirszman, baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos, publicado em 1934. A obra é um forte retrato da ascensão e da brutalidade de um latifundiário no Brasil.
    • Terra Estrangeira (1995) – Premiado no Festival de Havana e outros eventos internacionais, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas, que mistura drama e thriller ao retratar a sensação de deslocamento e crise de identidade vivida por muitos brasileiros nos anos 1990. A história se passa durante o governo de Fernando Collor, quando a economia brasileira entrou em colapso, levando muitas pessoas a deixarem o país. O protagonista, Paco (Fernando Alves Pinto), é um jovem que, após a morte da mãe, decide tentar a vida na Europa e acaba se envolvendo no perigoso mundo do contrabando. Já em Portugal, ele cruza caminhos com Alex (Fernanda Torres), uma brasileira que também busca um recomeço, e juntos enfrentam situações intensas que testam seus limites.
    • Que Horas Ela Volta? (2015) – Premiado em Sundance e Berlim, além de ser um dos filmes brasileiros mais elogiados da década, dirigido por Anna Muylaert e estrelado por Regina Casé. A obra aborda as relações de classe e a desigualdade social no Brasil a partir da história de Val, uma empregada doméstica que trabalha há anos para uma família rica em São Paulo.
    • Terra em Transe (1967) – Dir. Glauber Rocha é um dos filmes mais emblemáticos do Cinema Novo e uma das obras-primas de Glauber Rocha. O longa é uma crítica feroz às estruturas de poder na América Latina, explorando a relação entre política, arte e revolução por meio de uma narrativa alegórica e poética. A história se passa no país fictício de Eldorado, onde acompanhamos Paulo Martins (Jardel Filho), um poeta e jornalista que oscila entre apoiar e rejeitar os diferentes grupos políticos que disputam o poder: o populista Felipe Vieira, o conservador Porfírio Diaz e o empresário corrupto Julio Fuentes. À medida que a trama avança, Paulo se vê preso em um ciclo de traições e frustrações, refletindo o desencanto com a política e a luta pelo poder.

    O Cinema Novo

    O Cinema Novo foi um dos movimentos cinematográficos mais importantes do
    Brasil, influenciado pelo neorrealismo italiano e a Nouvelle Vague francesa.
    Surgiu entre o final dos anos 1950 e início dos 1960, trazendo um cinema mais
    engajado, autoral e crítico à realidade social e política do país.

    O movimento nasceu em um período de efervescência política e cultural no Brasil,
    marcado pelo governo de Juscelino Kubitschek. O Cinema Novo defendia uma
    linguagem menos comercial, com temáticas sociais e um olhar crítico sobre a
    desigualdade. Influência que perdura até hoje.

    Abordava temas sociais e políticos como fome, miséria, desigualdade e luta de
    classes. Sua estética, conhecida como “cinema de fome”, utilizava baixo orçamento,
    locações reais e atores não profissionais. A fotografia era naturalista, com câmera na
    mão e iluminação natural, enquanto as narrativas seguiam um estilo subjetivo e
    experimental.


    O Cinema Novo teve três fases marcantes:

    1ª Fase (1959-1964): Foco no engajamento social e na estética pobre, retratando a
    realidade do sertão nordestino. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber
    Rocha, é um dos ícones desse período.

    2ª Fase (1964-1968): Com o golpe militar, o cinema se torna mais simbólico e
    metafórico. Glauber Rocha pública A Estética da Fome, defendendo um cinema
    autêntico e crítico.

    3ª Fase (1968-1972): Com a repressão, muitos cineastas se exilam. O foco se volta
    para a alienação e a cultura de massa, como em Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro
    de Andrade.

    Principais obras neste período:
    ● Barravento (1962) – Glauber Rocha;
    ● Vidas Secas (1963) – Nelson Pereira dos Santos;
    ● Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) – Glauber Rocha;
    ● Terra em Transe (1967) – Glauber Rocha;
    ● O Desafio (1965) – Paulo César Saraceni;
    ● O Bravo Guerreiro (1968) – Gustavo Dahl;
    ● O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969) – Glauber Rocha (vencedor
    de Cannes);
    ● Macunaíma (1969) – Joaquim Pedro de Andrade;
    ● Os Herdeiros (1970) – Carlos Diegues.

    O Cinema Novo influenciou gerações de cineastas, como Walter Salles, Kleber
    Mendonça Filho e Fernando Meirelles. Sua crítica social e estética inspiraram
    movimentos como o Cinema Marginal e o Novo Cinema Latino-Americano. Não é atoa
    que simplesmente influenciou um dos maiores cineastas da história: Martin Scorsese,
    já se declarou fã de Glauber Rocha.

    O Futuro

    Após enfrentar uma das maiores crises de sua história, o setor cinematográfico
    brasileiro celebra um marco histórico: o recorde de 3.509 salas de cinema em
    funcionamento no país.

    Este número, divulgado pela Ancine em 1° de janeiro de 2025, supera as 3.478
    salas registradas em 2019, antes da pandemia de Covid-19, que resultou no
    fechamento de quase metade das salas de cinema em 2020.

    O Brasil continua ganhando espaço em festivais como Cannes, Berlim e
    Sundance, com filmes que dialogam tanto com questões locais quanto com
    temas universais. O reconhecimento de cineastas como Kleber Mendonça

    Filho, Anna Muylaert e Karim Aïnouz mostra a força da produção nacional no
    cenário global.

    O cinema brasileiro tem dado mais espaço para vozes diversas, abordando
    questões de gênero, raça e identidade social. Diretores e roteiristas estão explorando
    narrativas plurais, ampliando a representatividade na tela.

    Com o crescimento de serviços como Netflix, Prime Video e Globoplay, o cinema
    nacional tem alcançado públicos cada vez maiores, superando barreiras de distribuição
    que antes limitavam o alcance de produções independentes. Apesar dos desafios, o
    cinema brasileiro segue vivo, inovador e em constante reinvenção.

    E aí, você acompanha as produções nacionais? Torcendo pelo Ainda Estou Aqui no
    Oscar?

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    TAGS:Baurucinema brasileirofilmesOscar
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    ByGabriel Candido
    Publicitário, pós-graduado em Comunicação e Marketing Digital. No mercado publicitário desde 2012, atuando em agências de propaganda. Além da experiência na equipe de Marketing em emissoras de televisão. Gabriel se inspirou em seu primeiro emprego, em uma locadora de vídeos, para escrever e compartilhar uma coluna sobre filmes e séries. Afinal, ele tinha que fazer alguma coisa com o seu antigo sonho de se tornar um Tarantino aos 30 anos. Linktree: linktr.ee/gabrielhcandido
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