Uma colisão frontal em uma rodovia de São Manuel, em 2019, mudou a rotina do bauruense Bruno Righetto, professor de Educação Física e nutricionista.
O carro do profissional colidiu de frente com outro veículo, que trafegava na contramão e sem os faróis acesos. O impacto resultou em nove cirurgias: cinco na perna, duas no abdômen, duas no braço, além do uso de bolsa de ostomia.
“Foi um choque — literalmente. Num segundo eu estava seguindo minha vida normalmente, no outro minha rotina inteira precisava ser reconstruída do zero”, relembra.
Durante dois anos, Bruno utilizou cadeira de rodas e bengala para se locomover. Os médicos descartavam a possibilidade de ele voltar a andar sem auxílio, e mais ainda a de praticar esportes.
Mas o próprio diagnóstico se tornou ponto de partida para a recuperação.
De passo em passo
A recuperação seguiu por metas diárias e progressivas. O processo começou com ações simples, como permanecer em pé por um minuto durante o banho, até a retomada completa dos movimentos.
“O que me incentivou a tentar foram justamente os prognósticos negativos. Quando os médicos disseram que talvez eu não voltasse a andar, e muito menos a praticar esportes, eu entendi que aquilo era uma média, não uma sentença”, conta.
Em paralelo à reabilitação, Bruno concluiu a graduação em Educação Física pela Unesp em 2019. Na mesma instituição, cursou mestrado e doutorado voltados a desenvolvimento humano, tecnologias e reabilitação. Hoje, soma-se a isso a formação em Nutrição e a docência na Unisagrado e na própria Unesp.
A virada de chave
A corrida, praticada antes de forma recreativa, passou a integrar o processo de reconstrução. A primeira meta foi caminhar o percurso completo da Prova Internacional de São Silvestre. Depois vieram duas edições da São Silvestre e quatro meias maratonas.
O próximo desafio é a Maratona de Buenos Aires, neste domingo (20), e a preparação é longe de ser fácil: de 2 a 3 horas de treino por dia e uma média de 50 a 60 km rodados por semana, conciliados, claro, com a rotina de sala de aula.
“A reabilitação me ensinou que o corpo responde à constância, não à pressa. A reabilitação não devolve só o movimento, ela devolve a esperança”, destaca Bruno.

