O simples ato de cruzar as pernas, tão comum às mulheres, pode ser muito difícil para quem sofre com o lipedema. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 95% das pessoas com lipedema são mulheres; e no Brasil, cerca de 12% delas têm a doença, o que representa quase 13 milhões de pessoas.
O lipedema ainda é pouco diagnosticado e muitas vezes confundido com obesidade ou retenção de líquidos, mas trata-se de uma condição que precisa de um tratamento multidisciplinar para ser controlada.
A causa pode estar relacionada a fatores genéticos e hormonais que não estão ligados ao peso. Segundo o médico do esporte e nutrólogo Dr. Thiago Viana, o lipedema não é apenas uma questão estética, mas sim uma doença crônica e progressiva, que pode impactar diretamente a qualidade de vida das pacientes.
“Além da alteração no acúmulo de gordura, o lipedema pode provocar dor, sensibilidade, cansaço ao ficar de pé, dificuldade para cruzar as pernas e até hematomas frequentes devido à fragilidade dos vasos sanguíneos ao redor dessa gordura”, explica o especialista.
O diagnóstico correto é fundamental para evitar tratamentos inadequados, como cirurgias desnecessárias, que podem piorar a inflamação do tecido gorduroso. “A cirurgia não é a primeira opção. O tratamento clínico com mudanças alimentares, atividades físicas e acompanhamento multidisciplinar, deve ser a primeira abordagem”, reforça Dr. Thiago.
Alimentação e lipedema: o que comer e o que evitar?
O médico explica que a dieta tem um papel fundamental no controle da inflamação e pode aliviar os sintomas do lipedema. “Apostar em uma alimentação antioxidante e anti-inflamatória pode ajudar a modular o quadro, enquanto o consumo excessivo de açúcares e ultraprocessados pode piorar a inflamação e os sintomas”, alerta.
Alimentos recomendados para o lipedema
- – Peixes gordurosos (salmão, sardinha, atum): ricos em ômega-3, poderoso anti-inflamatório
- – Frutas vermelhas (morango, mirtilo, framboesa): fontes de antioxidantes
- – Azeite de oliva, nozes e sementes: ricos em gorduras saudáveis
- – Vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, repolho): ajudam na desintoxicação do organismo
- – Chás naturais (gengibre, cúrcuma, chá-verde): possuem ação anti-inflamatória
O que evitar
- – Açúcar e ultraprocessados: podem intensificar a inflamação
- – Gorduras saturadas e trans: encontradas em frituras e industrializados
- – Bebidas alcoólicas e refrigerantes: contribuem para retenção de líquidos e inflamação
Exercícios físicos ajudam no tratamento
A prática regular de atividades físicas de baixo impacto é essencial para quem tem lipedema. “Exercícios como natação, hidroginástica, pilates, caminhadas e ciclismo são os mais recomendados, pois ajudam na circulação e na mobilização da gordura sem causar traumas nos tecidos sensíveis”, explica Dr. Thiago.
O sedentarismo pode agravar o quadro, pois a falta de movimentação piora a retenção de líquidos e a inflamação no corpo. Por isso, manter uma rotina de exercícios e um bom nível de hidratação ajuda a aliviar os sintomas.
Apesar de ser uma doença sem cura, o lipedema pode ser controlado, permitindo uma melhor qualidade de vida para as pacientes. Além da alimentação e do exercício, o tratamento pode incluir drenagem linfática manual para reduzir o inchaço; uso de meias de compressão para ajudar na circulação sanguínea; acompanhamento médico constante para avaliar a progressão da doença; suporte de fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, garantindo um tratamento completo.
“É fundamental que as pacientes sejam acompanhadas por uma equipe especializada para evitar intervenções cirúrgicas precipitadas ou tratamentos ineficazes. Cada caso é único e um plano individualizado é essencial para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida”, conclui Dr. Thiago Viana.
Sobre Dr. Thiago Viana
Dr. Thiago Viana, médico do esporte, nutrólogo e ortopedista. Formado pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM), em 2010. Atualmente, ele atende em sua clínica na cidade de Bauru e com trabalho especializado na medicina esportiva, qualidade de vida, com foco em emagrecimento e melhora de performance. O Dr. Thiago é pós-graduado em medicina esportiva pela faculdade BWS, nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Ele ainda é membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC), membro da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO), membro da European Board of Obesity Medicine e membro associado da Sociedade Brasileira de Andropausa e Menopausa (SBAM).
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