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Cultura / Comportamento

Estudantes de Bauru comentam os aprendizados em repúblicas mistas

Amanda Araújo
By Amanda Araújo
Publicado 20/10/2016
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Moradores da república Frafru, daqui em Bauru
Estudantes moradores da república Frafru, daqui de Bauru

O que não faltam em Bauru são repúblicas. Afinal, sobram também universidades, sendo as três principais USP, Unesp e USC. Em uma definição simples, república é um conjunto de estudantes que vivem na mesma casa, dividindo tarefas e despesas. Pode ser uma casa com 12 pessoas ou um apartamento com três.

Uma esmagadora maioria dessas repúblicas divide e escolhe seus integrantes utilizando o critério de gênero, ou seja, essa casa é só para meninos e aquela só para meninas. A divisão é um consenso social e quase uma exigência dos pais. No entanto, algumas repúblicas fogem desses esteriótipos e imposições.

Para Phillipe Halley, morador da Frafru, o segredo da convivência é o respeito e o bom senso com uma dose de alegria, independente se a república é mista ou não. “Eu não vejo muitas diferenças em morar com mulheres. Algumas coisas exigem um pouco mais de atenção, como abaixar a tampa do vaso, mas o segredo mesmo é a convivência harmoniosa, ainda mais quando se vive em 12 pessoas”, afirma.

Na verdade, a convivência de ambos os gêneros pode gerar uma quebra de esteriótipos e aprendizados. “Com a convivência, superamos os esteriótipos e realmente nos conectamos e nos relacionamos como uma família. Um lado bom de morar com homens e mulheres é a diversidade de pontos de vista quando vamos ajudar alguém com um problema da faculdade, do trabalho e até amoroso”, acredita Thomas Musmann, também morador de uma república mista.

As dificuldades das repúblicas mistas repetem o que já é comum em qualquer outra casa de estudantes. “A negociação de tarefas e, principalmente, ver quem está cumprindo o que foi combinado. Existem vezes que o pessoal acaba esquecendo e fica pro dia seguinte. Aí sempre rola uma conversa para resolver a situação, mas tudo numa boa”, explica Phillipe.

Conviver com tantas pessoas diferentes tem um potencial incrível de fracasso, mas se der certo, a experiência pode ser uma das melhores da vida. “As diferenças de personalidades, de cidades, de vida profissional e de formação escolar tem essa ideia de despertar o interesse, o que ajuda, ao menos na minha visão, a tornar as pessoas mais interessantes”, opina Phillipe. Aliás, essa convivência com diferentes jeitos e costumes que é o intuito da universidade, o nome é uma prova.

“Quanto mais tempo morando juntos, mais familiar fica a convivência, melhoramos problemas no grupo a medida que vão surgindo, sempre conversando com respeito e com o objetivo de tornar a nossa casa cada vez mais em sintonia”, afirma Thomas. Os problemas surgirão, independente de gênero. Mantendo o respeito, as repúblicas mistas são mais que possíveis.

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ByAmanda Araújo
Formada em Jornalismo e pós-graduanda em Antropologia, já trabalhou no Jornal da Cidade, atuou com comunicação digital na MStech e como redatora na Editora Alto Astral
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