A modelo e influenciadora Gracyanne Barbosa, conhecida por sua alimentação altamente controlada e rica em proteínas, revelou estar enfrentando dificuldades no BBB 25 ao consumir alimentos diferentes dos que está acostumada. Ela relatou episódios de vômito e mal-estar, o que levantou uma discussão sobre os impactos das dietas muito restritivas e como o organismo reage a mudanças bruscas na alimentação.
De acordo com o médico do esporte e nutrólogo Dr. Thiago Viana, uma alimentação extremamente limitada pode comprometer o funcionamento do sistema digestivo e metabólico. “Dietas muito restritivas reduzem a diversidade de nutrientes e podem alterar a microbiota intestinal, que é fundamental para a digestão e absorção dos alimentos. Quando há uma mudança repentina no padrão alimentar, o organismo pode não estar preparado para processar os novos alimentos, resultando em sintomas como inchaço, diarreia, constipação e desconfortos gastrointestinais”, explica.
Segundo o especialista, o organismo apresenta sintomas quando enfrenta dificuldades com uma nova alimentação como desconforto abdominal e alterações intestinais, com cólicas, diarreia ou prisão de ventre; inchaço por conta da retenção de líquidos; fadiga e falta de energia que podem afetar o desempenho físico e até dores de cabeça ligadas às mudanças nos níveis de glicose no sangue.
Adaptação gradual
Para evitar esses desconfortos, a transição alimentar deve ser feita de forma progressiva. “A chave está na inclusão lenta de novos alimentos na dieta, permitindo que o sistema digestivo se adapte. Além disso, manter a microbiota intestinal equilibrada é essencial, o que pode ser feito com o consumo de fibras, prebióticos, como banana e aveia, e probióticos como iogurte e kefir”, orienta o médico.
Dietas restritivas também podem resultar em deficiências nutricionais, comprometendo o metabolismo, a imunidade e até a recuperação muscular. “No caso de atletas e praticantes de atividades físicas intensas, uma alimentação sem variedade pode levar a um desempenho inferior e maior risco de lesões. Por exemplo, uma dieta com foco excessivo em proteínas e poucos vegetais pode causar resultar em falta de magnésio e zinco, essenciais para a contração muscular e a saúde imunológica”, alerta Dr. Thiago.
Dietas extremas podem comprometer a saúde a longo prazo
Outras dietas muito restritivas, como a carnívora e a cetogênica, têm ganhado popularidade, mas exigem cautela. A dieta carnívora, por exemplo, exclui completamente vegetais e carboidratos, o que pode levar a deficiências nutricionais ao longo do tempo. Já a cetogênica, apesar de ser mais flexível, reduz drasticamente os carboidratos, podendo causar sintomas como fadiga, irritabilidade e dificuldades de concentração.
Segundo o médico dietas ricas em proteínas podem ajudar na perda de peso a curto prazo, pois aumentam a saciedade e promovem um gasto calórico maior na digestão. No entanto, não há evidências sólidas de que uma dieta exclusivamente carnívora promova longevidade. Pelo contrário, dietas desequilibradas podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares e até sobrecarga renal em pessoas predispostas, já que proteínas em excesso exigem mais trabalho dos rins.
O especialista traz recomendações para quem precisa adaptar a alimentação por mudanças de rotina, viagens ou desafios como os enfrentados por Gracyanne. O primeiro passo é fazer refeições menores e ingerir os alimentos novos em pequenas quantidades. Incluir fibras na dieta é importante pois ajudam na digestão e na regulação intestinal. A ingestão adequada de água é fundamental, um organismo hidratado funciona melhor. Além disso, consumir probióticos também ajudam a equilibrar a flora intestinal e facilitam a digestão.
“Modismos alimentares chamam atenção, mas não devem ser seguidos sem critério. A alimentação precisa ser equilibrada e adaptada às necessidades individuais”, finaliza o Dr. Thiago Viana. O segredo não está em dietas extremas, mas sim na constância, variedade e no acompanhamento profissional.
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